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MP denuncia policiais por homicídio triplamente qualificado de tenente no Nortão

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio da 13ª Promotoria de Justiça Criminal, denunciou três policiais militares por homicídio triplamente qualificado praticado contra o 2º tenente da PM Carlos Henrique Paschiotto Scheifer, em maio de 2017. A motivação do crime, conforme o MP, foi evitar que a vítima adotasse medidas contra os denunciados que pudessem resultar em responsabilização e, até mesmo, eventual perda da farda, por desvio de conduta em uma operação que culminou na morte de um dos suspeitos de roubo na modalidade “novo cangaço”, em Matupá (204 km de Sinop).

Consta na denúncia, que Scheifer foi atingido por um disparo frontal efetuado pelo próprio colega de farda na região abdominal em um local que havia sido no dia anterior palco de confronto entre policiais e suspeitos de roubo.

Segundo o Ministério Público, os fatos começaram com a perseguição da viatura da polícia, cuja equipe estava sob o comando da vítima, a uma Nissan Frontier e uma Mitsubishi L-200 Triton com indivíduos suspeitos da prática de crimes de roubo. Na ocasião, um dos veículos acabou tomando rumo ignorado e o outro perdeu o controle na estrada, quando quatro de seus ocupantes já desceram efetuando vários disparos contras os policiais.

A tentativa de prender os assaltantes que, inicialmente, parecia ter sido frustrada acabou obtendo êxito no dia seguinte com apoio de outros militares que atuavam em cidades próximas. Um dos veículos foi localizado em um posto de combustível na cidade de Matupá e o condutor, identificado e preso.

Consta na denúncia, que a partir das informações obtidas no interrogatório do acusado, a equipe de agentes liderada por Scheifer efetuou cerco policial a um imóvel em um bairro em Matupá, para prender outros suspeitos. Durante a ocorrência, um deles, que “supostamente” portava arma de fogo, teria tentado evadir-se do local e foi atingido por um disparo de fuzil efetuado por um cabo da PM e acabou morrendo.

“Conforme restou apurado nos presentes autos, a lavratura do boletim de ocorrência foi objeto de divergências e, até mesmo, desentendimento entre Scheifer, e o denunciado, pois, há fundadas suspeitas que fora inserida declaração falsa, com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, no que diz respeito às circunstâncias da morte do indivíduo”, descreveu o promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza.

Segundo ele, testemunhas relaram durante inquérito policial que presenciaram o desentendimento entre a equipe e Scheifer. Em um determinado momento, os denunciados teriam se reunido às portas fechadas para conversarem sobre o ocorrido.

No mesmo dia, durante diligência realizada no local do primeiro confronto com os ocupantes dos veículos, Scheifer foi atingido por disparo de arma de fogo. Inicialmente, conforme o Ministério Público, os colegas de farda sustentaram que a vítima havia sido atingida por disparo efetuado por suspeito não identificado, que estaria em meio à mata, do outro lado da rodovia. Após a realização do laudo pericial ficou comprovado que o projétil alojado no corpo do tenente partiu de um fuzil portado pelo cabo.

“Somente após a balística descortinar que o disparo que atingira mortalmente Scheifer ter saído da arma de fogo portada pelo denunciado, que então mudando a versão de outrora, ele alegou ter se equivocado da pessoa do tenente com a do suspeito”, afirmou o promotor.

Segundo ele, nenhuma das versões apresentadas pelo autor do disparo foi plausível. “A vítima foi atacada frontalmente (o denunciado afirmara que ela estava de costas) e, em posição de descanso (quando não há perigo pela frente), embora o acusado assevere que o ofendido se apresentava em posição de tiro vietnamita, uma forma de posição de ataque”, sustentou.

Redação Só Notícias (fotos: Robson Almeida/divulgação/arquivo)