Política

Presidente admite falhas em juros, rodovias e eleição na Câmara

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na primeira entrevista coletiva concedida hoje em Brasília, reconheceu que seu governo erra muito, indicou quais considera as principais falhas de sua gestão, mas tentou contemporizar as dificuldades.

“Levantou um companheiro e fez a pergunta de que possivelmente tenha sido um erro do governo não ter tido uma participação maior na sucessão da Câmara. Possivelmente tenha sido”, afirmou. No entanto, antes de admitiu a possibilidade de que a derrota do candidato do governo na eleição da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), Lula lembrou que o presidente Severino Cavalcanti (PP-PE) é de um partido que compõe a base de sustentação do governo. “O Severino é meu aliado”, declarou.

Outra falha apresentada pelo presidente refere-se às obras de recuperação das rodovias brasileiras. No primeiro ano de governo, por exemplo, o Ministério dos Transportes foi um dos maiores prejudicados com o contingenciamento de recursos orçamentários pela Fazenda e pelo Planejamento. “Nós não conseguimos fazer as obras na rodovia brasileira que eu gostaria de fazer”, afirmou Lula.

Por fim, o presidente elencou o uso exclusivo das taxas de juros para conter a inflação. “Posso dizer que essa é uma busca que ainda não consegui [alcançar]”, afirmou. “Possivelmente tenhamos muitos defeitos que espero que vocês descubram, publiquem e falem para a gente poder ir concertando as coisas porque são 8,5 milhões de quilômetros quadrados, mais de 180 milhões de habitantes e quem sabe os milhares de problemas que temos que resolver”, ponderou.

Consciência tranqüila

Ajudado pelo publicitário Duda Mendonça, o presidente dispunha de uma série de números em prol de sua gestão. Lula apresentou parte desses números para dizer que está com a consciência tranqüila e que está fazendo na sua gestão o considera o máximo possível.

Na lista de números apresentada, Lula disse que a média da geração de emprego nos dois primeiros anos de sua gestão é 11 vezes maior que os dados dos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso.

Outro argumento do presidente é o aumento do salário mínimo na comparação com o valor da cesta básica. Com os R$ 300 que passam a vigorar em maio próximo, será possível, de acordo com Lula, comprar duas cestas básicas. O valor de 2003 era equivalente a 1,2 o preço da cesta básica. “É uma melhora substancial”, afirmou.

O presidente citou ainda o bolsa família, o crescimento do setor industrial, a aprovação do estatuto do idoso, o superávit da balança comercial e a inclusão de 112 mil adolescentes nas universidades pelo programa de bolsas no ensino superior. “Eu não tenho varinha mágica para fazer com que todo mundo ganhe muito dinheiro e que possa melhorar de vida. O que estamos fazendo é dando passos muito sólidos, sem perder a cabeça em nenhum minuto”, argumentou.