Política

Maggi em dúvida entre o PFL e o PMDB; Decisão sairá só em agosto

Sem intermediário, sem fonte, sem nada. Blairo Maggi decidiu abrir uma parte de suas intenções político-partidárias. Cansado das inúmeras especulações sobre seu futuro – com setores da imprensa marcando até mesmo data de sua entrevista coletiva para anunciar seu novo partido – Maggi decidiu falar e tirar um pouco a pressão sobre o assunto: até agora, não tem decisão alguma sobre a nova sigla a se filiar. Certeza mesmo é que deixa o PPS. E a revelação: está entre filiar-se ao PFL ou ao PMDB, que, a princípio, parecia totalmente fora do leque de opções – o que não deixa de ser uma surpresa.
     
Maggi tem tempo para decidir. O prazo final para ser candidato a reeleição termina em setembro, mês em que se encerra as filiações para quem deseja disputar a eleição do ano que vem. Porém, a decisão sai um pouco antes: em agosto ele calcula que já terá tudo definido. “Não vou para um partido pequeno. Isso está fora de cogitação” – disse, colocando em descarte o PSB – sigla para qual estaria migrando o ministro Ciro Gomes, da Integração Nacional, de quem é amigo pessoal.
     
O governador deixou claro que deseja ser candidato a reeleição. Isso é ponto pacífico. Ele vai tentar governar Mato Grosso mais quatro anos. A possibilidade de mudanças nas regras do jogo até setembro é dada como pouco provável neste momento de crise política. O tempo que resta até o ano que vem – ou, mais precisamente, até o prazo limite para estabelecer as regras eleitorais – será consumida por “mensalão”, Correios, Instituto de Resseguros, malas de dinheiro e seus personagens Delúbio Soares, Roberto Jefferson, Marcos Valério, José Genuíno, Dirceu, entre outros.
     
No clima atual de Brasília não dá nem para discutir mais a tese de fim da reeleição – proposta que vem sendo apresentada como saída honrosa para o presidente Lula, que, apesar dos índices positivos em pesquisas de opinião, dificilmente conseguiria o feito da reeleição por causa da moção de desconfiança ao seu partido, o PT. Aliás, a reforma política está fora de cogitação neste momento. Com ela, está sepultada a tese do financiamento público de campanha – o que poderia fomentar muitas candidaturas ao Governo. Assim, Maggi vai levar sua recandidatura em águas calmas.
     
Blairo Maggi não diz abertamente qual critério pretende utilizar para escolher o partido a se filiar. Quando o PMDB andou em voga há uns meses atrás, sua tese se sustentava na hipótese de o partido vir a dar eventual apoio ao presidente Lula na reeleição – com o qual Maggi, em Mato Grosso, garantiria o apoio dos petistas, sufocando uma provável candidatura adversária, da senadora Serys. Em 2002, Lula e Maggi chegaram a fechar um acordo para 2006 nesse sentido. O PMDB também têm, por outro, estrutura partidária em todo estado e o que será mais importante nessa altura de relativo desgaste do governador: tempo na TV para explicar a sua administração e defende-la dos ataques que poderiam vir do PSDB. Hoje, o PMDB trabalha o apoio ao presidente Lula com a tese da governabilidade e entrou com novos quadros no Governo anunciando que terá candidato a sucessão de Lula.
     
Ir para o PFL não seria tão problemático também. Nem mesmo para explicar porque deixou de apoiar Lula. O PFL é o que Maggi sempre chamou de “Porto Seguro” do seu Governo, apesar das turras do ex-governador e atual presidente da sigla, Jaime Campos – um exímio “cavador” de espaço político, ao qual se atribui o princípio filosófico do “quanto mais têm, mais quer”. Quando disse ao secretário de Infra-Estrutura, Vilceu Marchetti, para o PFL se manter com as portas abertas, Maggi já sabia mais ou menos o que pretende fazer para 2006. O recado foi bem captado e Jonas Pinheiro entrou no circuito buscando a filiação de Maggi. Dia 25, lideranças pefelistas pressionarão pela filiação.
     
Outra agravante que vai nortear – ou pelo menos ajudar – a definição político-partidária do governador tem ares da Capital Federal. Poluído com a sujeira debaixo do tapete, Brasília vai mostrar em pouco tempo, através da infinidade de CPIs e depoimentos éticos na Câmara dos Deputados e até no Senado Federal, quem vai sobreviver a toxidade das denuncias que infestam o pulmão da classe política.