Política

Maggi discutiu hoje com prefeitos do Nortão os efeitos da Operação Curupira

Além dos problemas na agricultura, motivados pela crise cambial, a situação econômica e social em Mato Grosso vem se agravando com os problemas do setor madeireiro desde que foi desencadeada a Operação Curupira. Maggi esteve em Alta Floresta (803 km ao Norte de Cuiabá) na noite de terça-feira (21) e na manhã de quarta-feira, onde se encontrou a prefeita Maria Izaura Dias Alfonso (PDT), outros prefeitos da região e líderes empresariais.

Segundo Maggi, o controle da inflação ao custo de juros muito altos, vem provocando a crise não só na agricultura e no setor madeireiro, mas também em outros segmentos. E os produtores não são culpados por essa crise, enfatizou o governador. “Se não tem atividade econômica não tem arrecadação”, afirmou, lembrando que o início dos problemas se deu com o dólar sendo cotado hoje em torno de US$ 2,40, enquanto que na época em que se firmaram contratos e dívidas ele valia US$ 3,39. Nesse período, os custos aumentaram de 30% a 40%.

Acompanhado do presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Jair Mariano, do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Silval Barbosa e dos deputados Pedro Satélite e Robson Silva, Maggi fez uma primeira reunião na noite de terça-feira na sede local do Centro de Tradições Gaúchas (CTG), onde compareceram empresários, presidentes de sindicatos, de entidades como Rotary, Lions, associações, vereadores e políticos. Na manhã seguinte, a reunião na sede da Associação Atlética Banco do Brasil teve a presença de seis prefeitos da região, além dos líderes. “Estamos aqui para conversar diretamente, para juntos encaminharmos uma saída”, disse Maggi, que pedir serenidade e a união de todos para enfrentar o momento. Ele, assim como os demais deputados, saíram dos encontros como porta-vozes políticos do setor madeireiro e dos produtores da região.

Com a intervenção no Ibama e com a suspensão das ATPF (Autorização para o Transporte de Produtos Florestais) a situação vem se agravando na região e pelo menos 40% de um universo de três mil trabalhadores do setor já foram demitidos. Para pedir a liberação das ATPFs, na próxima segunda-feira haverá uma reunião na sede da Associação dos Municípios Mato-Grossenses (AMM), em Cuiabá, com o interventor do Ibama e pelo menos 40 prefeitos, mais representantes do sindicato dos madeireiros, da Assembléia Legislativa, Governo do Estado e Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt).

O consenso entre todos é que a operação Curupira, que resultou na prisão de mais de 90 pessoas, foi salutar para atacar a corrupção que vinha provocando uma devastação na floresta. Só que os líderes, assim como o próprio governador, entendem que os bons empresários não podem pagar pelos maus. “Colocavam dificuldades para poder vender facilidades”, afirmou. Outro entendimento é que a crise, por mais dura que seja, servirá para, a partir de agora, fortalecer o setor afastando quem trabalha ilegalmente.

“Ao visitar nosso município e outras cidades da região, o governador mostra sua preocupação”, disse a prefeita Maria Isaura. Para o presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Nortão (Simenorte), Augusto Passos, até o dia 2 de julho, depois do encontro de Cuiabá na segunda-feira, as empresas já possam voltar a operar. Ele se mostrou satisfeito com o apoio dos deputados, que garantiram que a proposta da nova Secretaria do Meio Ambiente será votada até a próxima semana. Esse período em que as indústrias estão paradas devido à falta de ATPFs, deve ser aproveitado também para repensar o setor, para calcular custos, demanda e preço de venda da madeira.

“Queremos ter competitividade e lucratividade”, disse Passos, admitindo, também, que alguns empresários precisarão de empréstimos para se manter na atividade. “Estamos trabalhando para que essas pessoas retornem ao setor. Infelizmente pode ter alguma baixa. O próprio mercado internacional esta vivendo esse momento, que afeta outros segmentos. Estamos no meio da crise e daqui para o final talvez seja mais fácil”, disse o presidente do Simenorte. Ele acredita que se o setor tiver pelo menos a liberação dos 20% que a Fema autoriza, haverá matéria-prima para atender não só o Nortão, mas o Estado inteiro.

Outra audiência que o governador pretende marcar em breve será com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Isso irá acontecer tão logo seja criada e aprovada a estrutura da nova secretaria, que será criada em substituição a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema). Com a nova secretaria e a definição de uma nova política ambiental, será possível discutir com a ministra as questões ambientais, que, por falta de um código florestal, tem deixado um rastro de confusão em relação ao que se pode fazer ou não em relação ao desmatamento. O deputado Silval Barbosa garantiu que, no mais tardar até a próxima terça-feira, a mensagem enviada pelo Executivo à Assembléia criando a Sema estará aprovada.

Maggi reafirmou durante os encontros que, embora não atue no setor madeireiro, ele é filho de um madeireiro (seu André Maggi) que respeita o setor que é responsável pelo pagamento de R$ 20 milhões por ano em ICMS. Mais uma vez ele defendeu também a votação da medida provisória 2.166 para que seja definido realmente qual são as áreas que podem ser desmatadas. Defendeu também a elaboração de planos de manejo que sustentem a atividade dentro da legislação. Diante disso, citou um exemplo de uma empresa de Itacoatiara, no Amazonas, que em plena região da floresta tem o selo verde da organização WWF para venda de madeira. “Madeira é um negócio que não se pode abrir mão. Aqui é uma estufa natural. Enquanto na Finlândia, uma árvore leva 80 anos para atingir o diâmetro apropriado, aqui isso acontece entre 30 e 40 anos. Em seis ou sete anos o eucalipto plantado já está p ronto. Não dá para competir com o Brasil”, disse o governador.

De acordo com o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Alta Floresta, Valdemir Dobri, a crise já está afetando o comércio, visto que o capital de giro das empresas está acabando. Só não é maior porque embora o setor madeireiro seja representativo, o município tem ainda outras atividades como a pecuária (de leite e de corte), plantio de arroz a ainda a produção de pequenos produtores. “Aqui existem 30 madeireiras grandes e outras 70 pequenas. Algumas reduziram o número de empregados, mas esperamos que a situação seja resolvida logo”, disse a prefeita Maria Izaura Dias Alfonso.

Já em Paranaíta, das 30 madeireiras, pelo menos a metade já fechou causando a demissão de 500 dos mil trabalhadores diretos. O setor é responsável por 30% da arrecadação do município e a crise provoca a diminuição de pelo menos R$ 180 mil mensais de uma arrecadação de R$ 600 mil. “O setor é responsável por 70% dos empregos. Com as demissões, chefes de família já estão na porta da prefeitura pedindo emprego ou cestas básicas”, disse o prefeito, Pedro Alcântara, presente à reunião.

Em relação à liberação de recursos para Alta Floresta, Maggi disse que depende agora da regularização da situação da prefeitura municipal junto aos governos Federal e Estadual. O município precisa apresentar certidões negativas de vários órgãos do governo para se habilitar aos repasses. Problemas da administração anterior, em relação a convênios assinados para o recebimento de investimentos, não foram solucionados.

“Enquanto não resolver isso o Estado não pode transferir dinheiro, sob pena de o governador ser responsabilizado perante a lei de responsabilidade fiscal. Mas a prefeita me disse que está muito próxima de resolver o problema e então teremos condições de ajudar mais Alta Floresta”, disse o governador. Mesmo diante destes entraves legais, o governador Blairo Maggi garantiu que irá mandar para o município uma patrulha mecanizada para fazer a conservação das estradas, tanto vicinais como estaduais.

Também participaram das reuniões em Alta Floresta os prefeitos Orodovaldo Antonio de Miranda (Carlinda), Silda Kochemborger (Apiacás), Valdir Mendes Barranco (Nova Bandeirantes) e a vice-prefeita Elizabeth Martins Muraro di Reis (Nova Monte Verde).