Política

Interventor defende moratória no desmatamento em Mato Grosso

O interventor do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Mato Grosso, o procurador federal Elielson Ayres de Souza, disse ontem, em depoimento na CPI da Biopirataria na Câmara dos Deputados, ser favorável à moratória do desmatamento em Mato Grosso por pelo menos seis meses. O interventor, que participa de audiência pública sobre a Operação Curupira, da Polícia Federal (PF), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Biopirataria, afirmou ainda que continua apurando outras fraudes de menor extensão envolvendo funcionários do Ibama no Mato Grosso.

O interventor afirmou ainda que o grupo preso pela Operação Curupira, da Polícia Federal (PF), sob acusação de extração e transporte ilegal de madeira atuava há mais de dez anos. Souza participa de audiência pública sobre a operação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Biopirataria.
O procurador federal afirmou que recebeu a denúncia em 2001. As informações foram encaminhadas ao Ministério Público, mas o caso não teve prosseguimento. Neste ano, ele retornou ao Mato Grosso e pôde retomar o assunto. Souza disse que o presidente do Ibama pediu que nenhum funcionário do órgão envolvido com corrupção fosse poupado. Segundo o interventor, outros servidores poderiam ter sido presos, mas o Ibama não teria como operar se isso ocorresse.

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marcus Barros, também depôs na CPI e disse que não acredita na culpa do ex-diretor de florestas do órgão Antonio Carlos Hummel. O ex-diretor foi preso no início do mês pela Polícia Federal (PF) na Operação Curupira. Ele é acusado de envolvimento na exploração ilegal de madeira no Mato Grosso.

Segundo Barros, que participa de audiência pública na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Biopirataria, Hummel não apresenta sinais de riqueza, além do que permite seu salário de funcionário do Ibama. A PF, de acordo com o presidente, também teria grampeado o ex-diretor, mas não encontrou nada contra Hummel. O ex-diretor, ao contrário, teria bons precedentes, inclusive histórico de combate a focos de corrupção no Ibama do Pará. “Se for provado que Hummel é inocente, vou ter o prazer de reconduzi-lo à diretoria da qual foi afastado”, disse Barros.

O mesmo pensamento de Barros não se aplica ao ex-gerente executivo do Ibama em Cuiabá, Hugo Werle, também preso na Operação Curupira. O presidente do Ibama acredita que ele tenha sido contaminado pelo “vírus da corrupção”. De acordo com Marcus Barros, Werle, sim, apresenta sinais de riqueza ilícita e teria negociado propina para si com madeireiros do Mato Grosso.
O presidente informou ainda que o Ibama está examinando todos os planos de manejo florestal em vigor no Mato Grosso e as autorizações para desmatamento concedidas. O órgão também suspendeu, até 1º de julho, o fornecimento de Autorizações para Transporte de Produtos Florestais (ATPFs). Os servidores que operavam o sistema de controle no estado foram descredenciados e a gerência executiva estadual está sob intervenção até agosto.