Política

DEM segue desde 2002 como maior partido de Mato Grosso; PSDB volta a crescer com Pedro Taques

O Democratas é o partido de Mato Grosso com o maior número de filiados. Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), até abril deste ano, quando foram fechados os números para o pleito de outubro, o DEM acumulava 57.448 nomes registrados em suas fileiras. O segundo maior partido de Mato Grosso é o MDB (antigo PMDB) com 40.356 filiados, seguido por PSDB (33.957), PPS (29.752) e PR (28.669).

A liderança deste ranking é mantida pelo DEM (antigo PFL) pelo menos desde 2002, quando o TRE passou a disponibilizar as estatísticas. O MDB também está consolidado na vice-liderança, perdendo a posição somente entre 2004 e 2006, quando foi superado pelo PPS. O PSDB sempre esteve entre as maiores agremiações, flutuando entre o 5º lugar e a terceira posição, que ocupa desde 2016. O PPS é presença constante no Top 5 desde 2002 e o PR passou a figurar na lista a partir de 2008.

O extrato de filiação mostra muito da recente história política mato-grossense. De acordo com o analista político Alfredo da Mota Menezes, os partidos crescem em virtude das lideranças que assumem o governo estadual. “Um exemplo disso é quando o Dante de Oliveira foi eleito governador pelo PDT e migrou para o PSDB, que passou a ser o maior partido de Mato Grosso”, recorda usando um exemplo anterior aos dados do TRE.

De fato, o histórico se repete com outros partidos. Em 2002 o PPS era a 5ª maior agremiação de Mato Grosso com 6.504 filiados quando Blairo Maggi foi eleito governador pela primeira vez. Dois anos depois, em 2004, o partido já era o segundo maior com 30.802 membros. O fenômeno Maggi se repetiu em 2006, quando o governador migrou para o PR após a reeleição. Na época, os republicanos sequer figuravam no Top 5 e em 2008, dois anos depois, já tinham 27.717 filiados.

O mesmo sucesso de Maggi como governador não se repetiu quando ele se filiou ao PP em 2016, ainda senador e quando passou a ocupar o Ministério da Agricultura na base do presidente Michel Temer (MDB). Alheio à Maggi, o número de filiados se manteve próximo a 20 mil.

Os números do MDB podem ser justificados pelo recente governo de Silval Barbosa, mas também pela liderança política longeva do deputado Carlos Bezerra. Da mesma forma, o DEM se mantém no topo com lideranças fortes, como a família Campos, que embora não ocupe o governo estadual desde 1994, cultiva uma base forte com deputados e prefeitos em todas as regiões de Mato Grosso e, quase sempre, apoiando o gestor estadual.

A migração de Taques do PDT para o PSDB em 2015, logo após ser eleito governador, ressuscitou as combalidas fileiras tucanas que viviam do passado de Dante de Oliveira. O partido, que desde 2008 era o quinto maior de Mato Grosso, tinha 28.596 filiados nas eleições de 2014 e, dois anos depois, em 2016, já tinha 5.568 filiados a mais, passando a ser o terceiro maior com 34.164 membros.

Mota Menezes explica que a migração partidária é uma tendência natural num país em que há pouca identificação com o programa partidário. As mudanças, explica o especialista, são, principalmente, de políticos que buscam alinhamento com o governo estadual em busca de recursos para os seus municípios. “As filiações para acompanhar o governo acontecem por um pragmatismo. Não digo em municípios maiores, como Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop, mas em cidades menores, cujas rendas dependem quase que exclusivamente de repasses dos outros poderes, é interessante para o gestor apoiar o governo para conseguir recursos para uma obra, por exemplo. Isso acontece por uma questão de sobrevivência”, explica.

Por outro lado, observa Mota Menezes, os partidos não desidratam na proporção em que crescem porque a maior parte dos filiados não é de militantes políticos nem está interessada nos programas partidários. Segundo ele, são de pessoas que colocam seus nomes nos eventos partidários e esquecem que estão filiados, deixando seus nomes vinculados às siglas.