Política

Após ter contas aprovadas, Taques diz que parecer de Janaína Riva foi motivado por “ódio”

Após ter as contas aprovadas por 18 votos a 5, o ex-governador Pedro Taques (PSDB) voltou a afirmar que o parecer da deputada Janaina Riva (MDB), que pedia a reprovação das contas de 2018, era baseado em ‘ódio’. “Todos sabem que a deputada Riva me odeia desde criança. Sobre ódios, mágoas e ressentimentos, não sou especialista. Não gasto meu tempo odiando quem me odeia, utilizo meu tempo amando quem me ama”, afirmou.

Taques também voltou a culpar a crise econômica do país para justificar as dificuldades que passou os 4 anos da sua gestão. Segundo ele, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) acertou em levar a crise em consideração ao analisar as suas contas de 2018. “Quero agradecer aos 18 deputados, que compreenderam o momento histórico que o Brasil e Mato Grosso viveram durante o nosso mandato, votando, tecnicamente, sem ódios ou rancores”, disse Taques após a Assembleia ter aprovado suas contas na última sexta-feira (10).

O ex-governador também disse ter recebido com tranquilidade a aprovação e que não existem no país contas aprovadas que não tenham ao menos uma ressalva ou condenação. “Quem faz a coisa certa não precisa ficar com receio ou ansiedade. As contas tiveram o parecer favorável do Ministério Público de Contas, teve unanimidade do TCE e 18 votos em plenário na Assembleia”, completou.

Já Janaina Riva, que não participou da sessão por licença médica, diz que o ataque do ex-governador a ela provaria a postura arrogante que sempre teve, mesmo após ter sido derrotado nas urnas e levado “mais da metade da legislatura passada da Assembleia Legislativa de Mato Grosso que compunha a base dele à morte política”. “Ao afirmar que eu o odeio, Pedro Taques só comprova que continua com essa mania de se superestimar, bem típico dos arrogantes que creem veementemente que são mais importantes para os outros do que realmente são”, disse a deputada.

Janaina ainda disse lamentar a decisão dos 18 deputados que votaram contra o seu parecer e aprovaram as contas de 2018 do tucano. “Quanto a mim, só posso dizer que na relatoria das contas do ex-governador fiz um trabalho técnico, sério e comparativo com outras contas de gestores reprovadas pelo TCE por motivos menores ou similares às falhas de gestão cometidas por Pedro Taques. Fiz a minha parte e sigo com a consciência tranquila daqueles que fazem o que certo”, completou.

Em agosto do ano passado, a Corte de Contas aprovou as contas de Pedro Taques por unanimidade. Ao todo foram apontando 27 irregularidades e 33 recomendações. Das irregularidades apontadas duas foram consideradas graves e cinco gravíssimas. O relator das contas, conselheiro Isaías Lopes da Cunha, apontou vários problemas, como a Lei Orçamentária Anual (LOA-2019) que foi elaborada com metas fiscais incompatíveis com os gastos.

Do orçamento, 70,4% foram usados para pagas gastos com pessoal e encargos. Só 5,22% foram destinados a investimentos. Porém, o conselheiro acatou as considerações feitas por Taques, que realizou a própria defesa no pleno do TCE. Taques reconheceu os erros porém apontou a crise nacional como problemas que enfrentou, além de acusar a gestão Silval de ter dado aumentos salariais e de carreiras aos servidores do Estado.

Sobre a votação na Assembleia, o presidente do TCE, Guilherme Maluf, fez o seguinte comentário: “É importante ressaltar o papel do Tribunal e o papel da Assembleia Legislativa. O TCE emitiu seu parecer técnico, os deputados avaliaram na comissão e em plenário. É uma prova de que o sistema está funcionando democraticamente, constitucionalmente. O TCE faz sua análise técnica e os deputados julgam e decidem. Existe harmonia e autonomia na relação”.

A Gazeta (foto: Só Notícias/arquivo)