Polícia

Segurança Pública é discutida por Gabinete de Gestão Integrada em Sinop

Integrantes do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), dos poderes públicos bem como representantes de veículos de comunicação sinopense reuniram-se na manhã desta segunda-feira, 12, na Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), para discutir o papel da imprensa na segurança pública do Município

Segundo o coronel da Polícia Militar (PM) e secretário executivo do GGI, Jorge Roberto Ferreira da Cruz, a imprensa precisa ter mais responsabilidade com a verdade e a transmissão dos fatos, eximindo-se da emissão de opinião pessoal.

Para o GGI, o papel que a imprensa vem desempenhando está influenciando na opinião de massa chegando, em certos casos, a instigar a violência por parte da população. O GGI também não concorda com as imagens que são exibidas pelos telejornais em horário de almoço. Foram citados alguns casos em que a imprensa noticiou e trabalhou de forma sensacionalista nos últimos tempos, como os que ocorreram em Juara e Matupá.

Em Sinop, mais especificamente, foi utilizado o exemplo de João Batista Ferreira, 45, que no ato de sua prisão quase sofreu linchamento pela população informada do fato e posteriormente instigada, pela mídia, a tentativa de justiça com as próprias mãos.

Conforme colocações da delegada Regional de Polícia Civil de Sinop, Maria de Fátima Moggi, a imprensa não pode julgar alguém se nem mesmo a Polícia formalizou o inquérito. “Não podemos viver entre pessoas que acham o linchamento uma coisa normal. Tenho medo que situações como esta se repitam e não consigamos mais dividir a realidade e conter a população”, ponderou.

O prefeito de Sinop, Nilson Leitão, também presente na reunião, disse concordar com todas as colocações ressaltando que, pelo fato de abranger vários seguimentos, o Poder Executivo, sempre será o maior prejudicado.

“Muitos dos profissionais que passam a notícia são leigos no assunto e acabam fazendo julgamento errado quando emitem sua opinião”, ponderou o prefeito, citando um caso de Meningite em que o Município foi responsabilizado por uma culpa que não era sua, pois o Pronto Atendimento (PA) levou apenas 22 minutos para diagnosticar e informar que a paciente deveria ser encaminhada para fora da Cidade. A paciente já havia passado por outros três hospitais.

O prefeito falou também da falta de capacidade de discernimento de matérias que a mídia vem desempenhando. “Para eles só é notícia o que é ruim. O Município de Sinop ficou entre os cinco melhores do Pais na qualidade de Educação, mas para que isso seja notícia precisamos pagar, enquanto que um telhado em más condições atrai as atenções de todos, e em pouco tempo”.

Representantes da imprensa também se pronunciaram alegando que as colocações não podem ser generalizadas e que a imprensa tem, acima de tudo um compromisso com a transmissão dos fatos.

O repórter de rádio, Ednaldo Lobo disse concordar em quase 100% do que foi colocado pelo GGI, mas o interessante seria citar os nomes e punir quem infringir o Código de Ética da Imprensa.

“A partir de hoje, passamos a carregar um fardo de 350 quilos em cada ombro, mas quero dizer que cada cidadão age de acordo com sua responsabilidade e a nossa é transmitir os fatos. Que há assaltos, roubos e furtos isso há e não podemos omiti-los da população pois temos um compromisso com a verdade”, finalizou Lobo.

O GGI é composto pelos seguintes membros: coronel da PM, Jorge Roberto Ferreira da Cruz, juiz de Direito, João Manoel Pereira Guerra, promotor de Justiça, Marcos Bulhões dos Santos, delegada Regional da Polícia Judiciária Civil, Maria de Fátima Moggi; major do Corpo de Bombeiros, Átila Vanderley da Silva; sistema prisional, João Paulo Martinez de Andrade; diretor da Guarda Municipal, Jair Gonzaga; presidente do Conselho Municipal de Segurança, Carlos Henrique Soares da Fonseca; secretário de Trânsito e Transportes Urbanos, Valdir Sartorelo e policial rodoviário Federal, Ismael Lemes Vieira.