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Seis anos após a Copa, oito obras em Cuiabá ainda não foram concluídas

Quase 6 anos após o evento da Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá, 8 obras ainda não foram entregues. Dessas, apenas a do Córrego Mané Pinto/ avenida 8 de Abril, foi retomada no ano passado e está em andamento, enquanto as demais se resumem em obras inacabadas, projetos mal feitos, serviços sendo refeitos, contratos judicializados e entregas prometidas para esse mês.

O Centro de Treinamento da Universidade Federal de Mato Grosso (COT da UFMT) e avenida Parque do Barbado estão em fase final e devem ser concluídas agora em janeiro. As outras cinco obras o governo do Estado não conseguiu dar prosseguimento.

No caso da Arena Pantanal e a Trincheira Jurumirim Trabalhadores tiveram os contratos judicializados. A Arena tem 98% das obras executadas. A Trincheirona está com 97,8% dos trabalhos concluídos. O COT Pari, que teve 70% das obras concluídas, sofreu com a ação do tempo e de vândalos. A obra já teve nove aditivos de prazos e valores. Lançada ao custo de R$ 25,5 milhões o valor final ultrapassa R$ 31,7 milhões. Já a duplicação da avenida Arquimedes Pereira Lima (Estrada do Moinho) com 70,3% dos trabalhos concluídos, apresenta uma série de vícios e problemas decorrentes da má qualidade da obra que passa por uma revisão.

Por último o VLT que, segundo especialistas, em meio às “sobras” da Copa é uma das obras mais emblemáticas. Moradores da capital e de Várzea Grande que convivem com os transtornos e frustrações dessas obras inacabadas, promessas de um legado para as cidades, também apontam o VLT como uma das obras mais problemáticas e a que menos apostam em uma conclusão.

As obras do modal foram iniciadas em 2012 e estão paralisadas desde dezembro de 2014. No final de 2017, após denúncias de corrupção, o contrato com o Consórcio VLT foi rompido.

Para o aposentado Juscelino Alves Nascimento, 55, entre todas as obras que ainda não foram finalizadas a do VLT é que ele menos acredita ver concluída. Em sua opinião, apesar de toda conversa de retomada do VLT, que por sinal ocorre todos os anos, o modal não deve ser concluído da forma que era planejado inicialmente. “Acho pouco provável ter dinheiro para terminar”.

Joanir Sales, 35, lembra que há anos moradores estão convivendo com o “fantasma do VLT”, já que as obras estão abandonadas e ainda dificultam o trânsito de pedestres pela avenida da FEB, em Várzea Grande. A vendedora lembra que a situação no local já é desfavorável para quem precisa atravessar a via e com o canteiro de obras, fica ainda pior. “É perigoso tropeçar, cair. Um obstáculo a mais para o pedestre”.

Doutor em engenharia de transportes, o professor da UFMT, Luiz Miguel de Miranda, afirma que das 8 obras que ainda restam, o VLT realmente é o mais desafiador. De acordo com ele, apesar do ponto de vista de que as obras do COT do Pari, são as mais preocupantes, já que não há planos para elas, o VLT é o mais emblemático no ponto de vista técnico. Ele lembra que em tempos em que parte da população investe cada vez mais em veículos próprios, manter um modal de integração é um desafio. Para ele a grande discussão e entrave para finalizar a obra, gira entorno da demanda que o transporte terá e os investimentos que precisam ser realizados.

Mas, além do VLT e o COT Pari, outras obras também estão sem perspectivas de conclusão como no caso da Trincheira Jurumirim e Estrada do Moinho. No caso da Trincheirona, a obra foi paralisada em 2014 com 97,84% e o contrato original de execução da obra está judicializado.

Uma consultoria realiza, desde setembro do ano passado, levantamentos técnicos para apurar os problemas existentes no pavimento ao longo da estrutura e suas causas. Ao final será elaborado projeto para restauração e uma nova empresa deve ser contratada, via licitação, para concluir os serviços.

Nas vias internas da trincheira, os motoristas têm a sensação de andar em uma montanha russa. Miguel Gomes, 33, passa todos os dias pelo local e afirma que da forma em que o local está ele tem medo. “Parece que está afundando a pista em vários locais”.

Na Moinho a obra foi feita sem projeto executivo aprovado e com diversas patologias detectadas ao longo de todo trecho. Foi assinado um acordo com o Consórcio Trimec-Hytec para avaliação dos serviços e posterior retomada das obras que estão paradas desde 2014. Quem passa pela avenida todos os dias reclama da situação da via que tem o asfalto totalmente irregular, além de apresentar diversos buracos e “remendos”.

No local, os serviços incluem restauração e duplicação da Arquimedes Pereira Lima, com extensão de aproximadamente 4,42 km, duplicação e alargamentos das pontes sobre o córrego do moinho e rio Coxipó.

João Lima, 64, afirma que ao passar pela avenida precisa tomar muito cuidado por causa dessas irregularidades. Ele critica ainda a demora do governo em solucionar essa questão e garantir uma avenida de qualidade para a cidade. “Aqui passa muita gente. Não é possível que após tantos anos ainda não se tenha uma solução”.

Essa também é a opinião do empresário, Antônio de Sé Arruda, que vê na avenida grande potencial para ser uma das melhores na cidade. Para ele falta mais comprometimento do poder público com quem mora e trabalha na região. Ele lembra que os problemas com o asfalto são constantes. “É preciso finalizar a avenida e com serviços de qualidade”.

Viviane Cardoso, 28, lembra que nem mesmo a ciclovia foi finalizada. “Não tem sinalização e muito menos fiscalização”. Ela conta que diversas vezes, em horários que o trânsito está caótico, motoqueiros utilizam a ciclovia para cortar caminho, o que deixa a estrutura ainda pior.

Apesar dos problemas nas demais obras, Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), o COT da UFMT está finalizado e será entregue no dia 28 de janeiro. Com um valor de pouco mais de R$ 17 milhões, a obra chegou a ser anunciada para dezembro. Mas, de última hora a entrega foi suspensa e o motivo para o adiamento foi apontado como o recesso dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

A obra de implantação e duplicação da avenida Parque do Barbado num total de 1,6 km, no bairro Jardim das Américas. Os trabalhos já foram concluídos e entrega está prevista para a próxima semana. Com um valor de pouco mais de R$ 29 milhões, as desapropriações foram um dos entraves para a demora na conclusão da obra iniciada em 2013.

A Gazeta