
Para a magistrada, no entanto, não houve “qualquer alteração fático-jurídica apta a ensejar a revogação do decreto de prisão preventiva”. Ela destacou que os predicados pessoais apresentados pela defesa “não são por si sós, suficientes para revogar a prisão preventiva, considerando ainda, os indícios de autoria e materialidade presentes no caso em comento”. Ao se manifestar sobre a possibilidade conversão em prisão domiciliar, a juíza (foto) apontou que “não há, nos autos, informações acerca da negativa de atendimento médico por parte da direção do presídio daquela localidade (Nortelândia), bem como que a defesa não apresentou documento comprobatório da enfermidade da ré”.
As duas acusadas foram ouvidas em audiência de instrução e julgamento, na segunda-feira (21). A instrução processual do caso já foi encerrada. A magistrada abriu prazo para alegações finais e, em seguida, decidirá se as duas suspeitas irão a júri popular.
Conforme Só Notícias já informou, informações apuradas pelos investigadores da Polícia Civil apontam que um relacionamento extraconjugal, entre a vítima e o esposo de um das duas acusadas, pode ter sido, supostamente, a motivação do crime. Consta no processo que, em fevereiro, a filha da vítima comunicou à polícia o desaparecimento. Em abril, a jovem entrou novamente em contato com um investigador, para relatar que havia recebido uma ligação telefônica, feita do número utilizado pela vítima. Segundo diversas testemunhas, ao ser questionada sobre o desaparecimento, uma das duas suspeitas sempre insinuava que Roseli estaria viva e bem.
A mulher ainda teria, em certa ocasião, perguntado ao sobrinho se “caso alguém pegasse no cabelo de uma pessoa e arrastasse ficaria as marcas das digitais no cabelo da vítima?”. O rapaz ainda respondeu que seria possível “sumir” com as provas de um homicídio utilizando ácido ou soda cáustica. O diálogo foi presenciado pela outra acusada, esposa do homem que teria tido envolvimento com Roseli. Do celular dele teria partido a ligação para a filha da vítima.
As duas mulheres foram presas em cumprimento de ordem judicial (prisão temporária) e confessaram participação no brutal assassinato de Roseli. O corpo foi enterrado em uma vala, na estrada Nanci, e localizado no dia 26 de maio por policiais civis. Elas ainda relataram ter jogado soda na vítima, no intuito, de “derreter” o cadáver localizado após 55 dias do desaparecimento.
Três investigadores e dois peritos acompanharam uma das suspeitas presas e refizeram o trajeto, onde se encontraram com Roseli e lhe ofereceram carona até o Camping Clube, onde morava. "Seguimos pela MT-220, conversando com ela, normalmente, até chegarmos na estrada Nanci. Ali a matamos com pauladas e facadas e escondemos o corpo na mata", relatou uma das acusadas.
Ambas foram denunciadas pelo Ministério Público Estadual e respondem por homicídio triplamente qualificado, cometido por motivo torpe, meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.


