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Caramujos africanos reaparecem em Alta Floresta

Uma moradora da rua H-11, no setor RI, mostrou-se preocupada com a quantidade de caramujos africanos que ‘apareceram’ nos últimos dois dias no seu terreno. Quando atendeu nossa reportagem ela acreditava ter encontrado 4 exemplares, mas durante o período em que a equipe do Diário esteve em sua casa foram localizados pelo menos mais 4 ‘filhotes pendurados’ num pequeno arbusto de folhagens. Preocupada, a moradora solicita a visita de equipes da secretaria da saúde para analisar a situação e orientar sobre o que deve ser feito.
O primeiro caramujo que encontrou, foi morto ‘a pauladas’, sem saber dos cuidados que têm que ser tomado na hora de exterminar a praga. Segundo técnicos, o caramujo africano tem que ser desidratado ou incinerado após colocados em um recipiente metálico (latão) ou em forno próprio. Orientada a ‘recolher’ os animais para incinerar, a moradora agora está preocupada com o grande número de animais que começou a aparecer em seu terreno.

História – Por volta da década de 90, em Mato Grosso, vários criadores de caramujos, conhecidos como helicultores, foram aconselhados a importar matrizes do caramujo africano, que tem ciclo reprodutivo maior e mais rápido do que o escargot, colocando até 200 ovos em época de procriação, para criá-los como opção mais comercial o que foi feito sem nenhum controle por parte dos órgãos oficiais. Porém a carne do Achatina fulica (nome científico) é muito mais dura do que a do escargot e ele não caiu no gosto popular. Como resultado os helicultores desistiram da criação e os animais fugiram de seus criadouros, começando a se espalhar por todo o Estado. Aqui em Alta Floresta os primeiros caramujos africanos apareceram no bairro Boa Nova no final dos anos 90, mas o descontrole foi registrado em 2004, quando 16 municípios matogrossenses identificaram a ‘peste’.

Doenças – O caramujo africano pode transmitir duas doenças, a Angiostrongilíase meningoencefálica humana, quem tem como sintomas a dor de cabeça forte e constante, rigidez na nuca e distúrbios do sistema nervoso e a angiostrongilíase abdominal, que pode causar perfuração intestinal e hemorragia abdominal (cujos sintomas são: dor abdominal, febre prolongada, anorexia e vômitos). Até o presente momento não se tem notícias de pessoas contaminadas, mas, uma vez havendo o molusco, há a possibilidade da contaminação.

A ingestão ou a simples manipulação dos caramujos vivos pode causar a contaminação, pois os vermes são encontrados no muco (secreção) dos caramujos. Ao se instalar em hortas e pomares, o caramujo pode contaminar frutas, verduras e disseminar doenças. As crianças precisam ser orientadas sobre os cuidados que devem ter e lavar bem hortaliças e vegetais que serão consumidos in natura.

Coleta – Para coletar os caramujos, as mãos devem estar protegidas com luvas ou sacos plásticos para evitar o contato da sua secreção com a pele humana. Os caramujos deverão ser colocados em sacos plásticos, amassados e jogados em latões. Depois de amassados devem ser enterrados com cal virgem. A cal evita a contaminação do solo e do lençol freático e/ou incinerados em forno de alta temperatura (por exemplo as caldeiras de madeireiras).

O controle do caramujo é a maneira correta para se evitar o surgimento das doenças, a degradação do meio ambiente. (dados coletados do site www.portalamazonia.globo.com)