Está difícil aparecer candidato ao governo do Rio Grande do Norte, por causa da péssima situação do Estado. Os dois mandatos da governadora Fátima Bezerra vão deixar para o sucessor dela o segundo maior passivo judicial entre os estados, dívida líquida superior a 6 bilhões e uma folha de pagamento que consome mais da metade da receita líquida. E um terço da população está abaixo da linha de pobreza. No plano federal, a situação financeira está também assim, apenas com a diferença que Lula corre o risco de ser seu próprio herdeiro e os demais concorrentes estão dispostos a assumir os ônus do espólio.
A projeção de inflação é de 5,11% até o fim do ano. A meta era 3%. A dívida bruta passou de 10 trilhões, o crescimento não vai chegar a 2%; há desestímulo de investimento, a indústria está desatualizada, até os serviços sofrem e Lula briga com o agro, que sustenta o balanço externo. Os juros não baixam e a população e as empresas estão endividadas. E o próximo presidente é que vai ter que pagar as bondades eleitoreiras que estão viciando parte da população contra o trabalho, a única fonte de renda. Cada vezes menos trabalham para sustentar cada vez mais programas ditos sociais que dão resultado às avessas – o Brasil é o único no mundo em que auxílios do governo aumentam a diferença de renda, segundo a lista GINI.
O próximo presidente vai ter que corrigir truques que desequilibraram de novo as contas públicas, com gigantismo do estado, leniência com o crime organizado, degradação da projeção diplomática, reforma tributária a atrapalhar as empresas, créditos subsidiados populistas, combustíveis subvencionados, descrédito nas instituições, corrupção endógena do setor público nos três poderes. As bondades já chegam a 215 bilhões para tentar se reeleger. A última foi uma Medida Provisória com 30 bilhões de empréstimos para taxistas e motoristas de aplicativo, com recursos do Tesouro e do BNDES. Desses, uns 200 bilhões não entram na conta da ficção chamada de Arcabouço Fiscal, que substituiu o sensato teto de gastos do governo Temer, truque que lembra as pedaladas que derrubaram Dilma. Como não há almoço grátis, a conta irá para o mandato seguinte.
Certamente Flávio, ou Caiado, ou Zema, têm consciência dessa herança e mesmo assim continuam candidatos. Não vão poder reclamar depois. Devem saber que o Brasil tem um potencial tão grande que pode se recuperar em pouco tempo de boa gestão pública, desde que exista um “posto Ypiranga”. Já Lula tem dois caminhos. Se não for reeleito, deixa “ao vencedor, as batatas” e vai rir da situação difícil do novo presidente. Mas se for reeleito, tem Trump como desculpa, tal como faz o regime cubano. Sempre é recurso culpar o adversário pelo próprio fracasso. Vai encontrar seguidores e desinformados que vão acreditar. E todos vamos sofrer as consequências da falta de responsabilidade fiscal, turbinando os problemas de hoje.


