A Polícia Civil deflagrou, hoje, a Operação Baba Yaga, para cumprimento de 33 mandados judiciais expedidos no âmbito da investigação que apura a atuação de uma facção criminosa instalada na região de Campos de Júlio (566 km de Cuiabá). Os mandados foram cumpridos em Campos de Júlio, Comodoro e Cuiabá, com o objetivo de desarticular a cadeia de comando, atingindo lideranças, integrantes do quadro disciplinar, responsáveis pelo setor financeiro, gerentes do tráfico, operadores logísticos e encarregados da comercialização de drogas e da manutenção das atividades ilícitas.
A decisão judicial autorizou as buscas e apreensões de caráter itinerante (apreensões que não ficam restritas aos endereços previamente indicados no mandado judicial), além de quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos dos dispositivos eletrônicos apreendidos.
Segundo a polícia, o grupo criminoso encontrava-se instalado permanentemente na cidade, exercendo controle sobre a venda de entorpecentes, impondo regras internas aos integrantes, promovendo punições violentas, monitorando a movimentação das forças policiais e utilizando sofisticados mecanismos para dificultar a identificação de seus integrantes. As investigações reuniram informações de diferentes procedimentos policiais, prisões em flagrante, operações anteriores e análises de inteligência. O cruzamento dos dados permitiu identificar comunicações entre os investigados, mapear a atuação de cada integrante e revelar a estrutura hierárquica, a divisão de funções e o modo de atuação da facção, detalhou a assessoria.
As apurações também apontaram que o grupo atuou de forma coordenada por vários anos, características típicas de facções criminosas. Segundo a polícia, foram identificados também vários grupos de mensagens instantâneas utilizados exclusivamente pela facção criminosa, para dificultar eventual identificação. Os grupos recebiam nomes aparentemente comuns, fazendo referência a supermercados, lojas, escolas e estabelecimentos comerciais da cidade.
As análises identificaram que os suspeitos trocavam constantemente apelidos, perfis e nomes de usuário para dificultar a identificação. Além disso, adotavam procedimentos padronizados para apagar conversas, monitorar a movimentação policial e compartilhar, em tempo real, informações sobre o deslocamento de viaturas.
Os integrantes da facção eram submetidos à leitura obrigatória do estatuto interno do grupo, pagamento periódico de contribuições financeiras, cumprimento de determinações disciplinares e rígido controle hierárquico, e conforme a polícia, investigações também apontaram indícios de recrutamento de adolescentes para o tráfico de drogas, uso de estabelecimentos comerciais para ocultar a origem de recursos ilícitos e monitoramento constante da atividade policial.
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