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Pesquisas sobre agrotóxicos e saúde em MT serão apresentadas dia 13

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Os professores do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Wanderlei Antônio Pignatti e Ageo Mário Cândido da Silva, participarão do seminário de lançamento do Fórum Mato-Grossense: Agrotóxicos, Saúde e Meio Ambiente, que acontece no dia 13. No evento, organizado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), os docentes apresentarão suas pesquisas envolvendo agrotóxicos, realizadas na UFMT.

O professor Wanderlei Pignatti contribuirá com seus estudos executados entre 2007 e 2010 no município de Lucas do Rio Verde, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que apontou a existência de resíduos de agrotóxicos no leite materno das amostras analisadas. Já o pesquisador Ageo da Silva abordará a vigilância em saúde de populações expostas aos agrotóxicos em Mato Grosso.

O seminário acontecerá na sede da Procuradoria Regional do Trabalho da 23ª Região, em Cuiabá, das 8h às 12h. Outra presença confirmada é a procuradora Regional do Trabalho do MPT no Paraná, Margaret Matos de Carvalho.

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) produziu dossiê sobre o tema, apontando que, no Brasil, na safra de 2011, foram plantados 71 milhões de hectares de lavoura temporária (soja, milho, cana, algodão) e permanente (café, cítricos, frutas, eucaliptos) e pulverizados 853 milhões de litros (produtos formulados) de agrotóxicos, principalmente de herbicidas, fungicidas e inseticidas. Isso representa uma média de uso de 12 litros/hectare e exposição média ambiental/ocupacional/alimentar de 4,5 litros de agrotóxicos por habitante.

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou dados da pesquisa feita pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para). Segundo o relatório, boa parte das amostras de frutas, legumes e verduras consumidos pelos brasileiros (especificamente 36% em 2011 e 29% em 2012) apresentou altas taxas de resíduos de agrotóxico. Foram monitoradas 3.293 amostras de 13 alimentos, como arroz, feijão, tomate e maçã.
Houve, ainda, a descoberta de um agravante: pelo menos dois agrotóxicos detectados nas amostras nunca foram registrados no Brasil, o que sugere que tenham entrado no país por contrabando. Nos seis primeiros meses de 2013, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícolas (Sindag), os estados que mais apreenderam produtos ilegais foram: Rio Grande do Sul (8.568 kg), Minas Gerais (4.446 kg), Mato Grosso (3.686 kg) e São Paulo (1.160 kg).
O procurador do Trabalho Leomar Daroncho explica que o Ministério Público do Trabalho busca, com a realização do seminário e a criação do Fórum, reunir esforços com organizações governamentais e não-governamentais, sindicatos, universidades, poderes Legislativo e Judiciário, ampliar o debate com a sociedade.
"A contundência dos indicadores sinaliza que podemos estar assistindo a cenas de uma tragédia humana coletiva. Não é possível ficar indiferente a tantos prognósticos e evidências alarmantes. Embora o problema seja complexo, precisa ser debatido. Também nos preocupa muito o fato de que o manuseio e a exposição a esses produtos estão ocorrendo em locais com altos índices de analfabetismo entre os trabalhadores."
Mato Grosso
Mato Grosso é o maior consumidor brasileiro de agroquímicos (fertilizantes químicos e agrotóxicos), principalmente no plantio de grãos, seguido de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, segundo o IBGE (2006), Sindag (2011) e Theisen (2012).
Dos 141 municípios mato-grossenses, 54 possuem grandes monoculturas, produzem 70% dos produtos agrícolas e consomem 70% dos agrotóxicos e fertilizantes químicos usados em suas lavouras e pastagens. Só em 2010, foram produzidos 6,4 milhões de hectares de soja e consumidos 113 milhões de litros de agrotóxicos.

 

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