Política

Senador do PT pede que ministros entreguem cargos

O primeiro vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), propôs hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no prazo de 60 dias, substitua todos os cargos da administração federal ocupados por petistas. Tião Viana ressaltou que o PT, com seus 25 anos de história de combate à corrupção, não pode ser jogado no “lamaçal da corrupção”.

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“Nós, filiados do Partido dos Trabalhadores, poderíamos dar um prazo de no máximo 60 dias para uma transição. Para que o presidente pegasse todos os filiados ao PT em cargo de confiança, para que esses cargos fossem preenchidos por servidores de carreira ou concursados¿, disse.

Quanto aos ministros, com exceção de Antônio Palocci, da Fazenda, Tião Viana sugeriu que coloquem seus cargos à disposição do presidente, para que ele possa ter liberdade de fazer os ajustes que julgar necessário.

Segundo Viana, este poderia ser o melhor gesto do partido para com o presidente, que hoje “é alvo de ataques duros e impiedosos” por conta das denúncias de corrupção no governo. Ele acrescentou que com isso, o partido estaria livre das acusações de que estaria aparelhando o Estado e “demonstrando sua responsabilidade no incondicional apoio ao presidente”. “Temos que agir como um partido preparado para governar esse país e para demonstrar seu desprendimento”.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse ser contra a renúncia coletiva de ministros filiados ao PT, como propôs Viana. Chinaglia também se opõe à saída de José Dirceu do comando da Casa Civil. “Diria que o ministro Dirceu deve ficar, principalmente neste momento de turbulência política, sua saída atenderia muito mais a oposição que o governo”, afirmou, ressalvando que “quem tem poder e pode falar a respeito disso é o presidente”. Chinaglia participou durante a tarde de uma reunião entre deputados e senadores do PT para discutir a escolha do comando da CPI.

O líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio Neto (AM), elogiou a proposta do petista. “O senador Tião Viana (PT-AC) falou como verdadeiro defensor do governo federal”, disse Virgílio Neto. O senador tucano acrescentou que o colega petista, durante seu discurso em plenário, fez uma análise sensata da crise política enfrentada pelo presidente Lula “e apontou saídas para esta crise”. Disse, ainda, que este deve ser “o papel de qualquer petista leal a Lula colocar a crise longe do presidente.

Virgílio Neto lembrou que, desde o início desta crise, a oposição tem defendido o afastamento dos ministros envolvidos no caso até que as investigações comprovem ou não a participação destas autoridades nas denúncias feitas pelo presidente do PTB, deputado Roberto Jéferson (RJ). Por outro lado, também destacou que “já passa do tempo” de se fazer uma reforma político-partidária no país, desde que não sirva de “cortina de fumaça” para evitar as apurações das denúncias de corrupção nos Correios e de recebimento de mesadas por parte de parlamentares do PL e do PP.

O senador Demóstenes Torres (PFL-GO) também apoiou a proposta do petista Tião Viana. O senador goiano foi mais longe: sugeriu que não só os ministros do PT, mas toda a equipe ministerial entregue o cargo ao Presidente da República. Desta forma, disse Torres, o presidente Lula teria condições de fazer as modificações necessárias em seu governo. “O presidente tem que ter coragem de colocar para fora de seu governo a banda podre que está levando seu governo de roldão”, disse ele.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez um discurso contundente na tribuna da Casa pedindo isenção e seriedade nas investigações da CPI. Simon fez um apelo ao PT, ao PFL e ao PSDB para que não transformam a CPI dos Correios no que foi a CPI do Banestado, que, por desentendimentos entre o presidente e o relator, deixou de analisar uma série de denúncias e de documentos.

Para ele, Lula deve afastar do seu governo os integrantes acusados de corrupção, como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal por denúncia do Procurador Geral da República, Cláudio Fonteles. Simon propôs ainda o nome do senador Jefferson Péres (PDT-AM) para presidir a CPI.

Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que a proposta de afastamento de petistas que ocupam cargos de confiança no serviço público “merece ser seriamente estudada”, mas afirmou que se faz necessário estabelecer um tempo para que os servidores de carreira ou de concursos públicos pudessem se adequar a estas funções.