Política

PT se rearticula para conquistar bases

A relação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT com os movimentos sociais está “esgarçada” e precisa ser recomposta imediatamente, na avaliação do presidente do PT, José Genoino, escolhido ontem candidato da ala moderada na eleição que renovará a direção nacional, em setembro.

Genoino foi aclamado candidato do chamado Campo Majoritário, grupo que controla cerca de 60% do partido, em reunião no Rio. Sua reeleição para um novo mandato é considerada praticamente certa.

O presidente petista promete utilizar a campanha eleitoral interna, em que haverá debates nos 27 Estados, para reconectar o partido a uma base social que historicamente foi a responsável pelo crescimento do partido, mas que nos últimos dois anos tem se sentido negligenciada por Lula.

“É o grande momento de fazer uma religação com a base. Em alguns momentos, nos últimos dois anos, essa relação ficou esgarçada”, disse Genoino.

O presidente petista citou como exemplo a relação conflituosa com os servidores públicos federais, que neste ano só receberam 0,01% de reajuste salarial. Mas essa não é a única com problemas.

Os sem-terra, por exemplo, não escondem a impaciência com a lentidão na reforma agrária. Sindicalistas reclamam da política econômica baseada no aperto monetário e fiscal.

Genoino apresentou a decisão de não renovar o acordo com o Fundo Monetário Internacional como um trunfo para tentar atrair setores desiludidos com a ortodoxia na economia.

Na base dessa preocupação está o projeto para reeleger Lula em 2006. O PT, apesar de toda a inflexão que fez ao centro, ainda tem uma relação forte com os movimentos sociais e conta com o apoio deles –ou pelo menos sua neutralidade– na campanha.

Genoino deve enfrentar ao menos dois candidatos das “alas radicais”, que são críticos da política econômica: Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre, da Democracia Socialista, e Valter Pomar, 3º vice-presidente do PT, da Articulação de Esquerda.