Política

Presidente e tesoureiro da Fecomércio são afastados; advogado acusa agressão

A assembleia geral dos sindicatos que compõem a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT) afastou preventivamente o presidente Hermes Martins da Cunha (foto) e o primeiro tesoureiro Paulo Sérgio Ribeiro do comando da entidade.

A decisão foi tomada na tarde desta quarta-feira (14), por 8 votos a 7. Na reunião, o advogado Amarilton Casal afirmou que chegou a ser agredido por um funcionário do órgão, que pretendia impedir a votação.

Hermes e Paulo são suspeitos de terem cometidos diversas irregularidades na gestão da Fecomércio, inclusive com possível desvio de verbas.

Além de alegadas inconsistências na prestação de contas de 2016, os sindicatos acusam Hermes Martins de assumir de forma irregular o cargo de presidente, de “obstruir” provas de fraudes cometidas pelo ex-presidente da entidade, Pedro Nadaf, além de estar sendo processado por uma associação classista por apresentar documentos falsos de uma empresa.

Os sindicatos citam ainda que o presidente abriu um Procedimento Ético Disciplinar contra eles por “vingança”, já que não concordam com a permanência dele no cargo.

Com o afastamento, passa a comandar a entidade o presidente do Sindicato Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincovaga), João Flávio Barbosa Sales.

A defesa de Hermes, feita pelo advogado Hélio Machado, afirmou que irá tentar anular a decisão na Justiça. Ele alegou que a convocação da assembleia geral foi feita de forma irregular, desrespeitando o estatuto da Fecomércio.

"O estatuto prevê que no mínimo dois terços dos conselheiros votem para convocar um AGE [Assembleia Geral Extraordinária]. No caso, não foi atingido os dois terços". 

Machado também afirmou que um representante de sindicato foi impedido de votar por suspostamente estar sem mandato. Porém, conforme o advogado, o representante teve o mandato prorrogado por portaria da própria entidade.

"Em contrapartida foi contabilizado um voto, de outro presidente do sindicato, que está sem mandato. Por conta disso a Fecomércio está tranquila, e vamos buscar reverter isso", disse o advogado.

Um dos advogados presentes na reunião, Amarilton Casal, denunciou ter sido agredido por um dos funcionários da instituição, chamado "Evaldo".

Conforme o advogado, que estava com a mão arranhada e suja de sangue (veja foto ao lado), o funcionário agrediu ele e outros presentes para impedir que a reunião ocorresse. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista Patronal de Barra do Garças, Cláudio Picche, também afirmou que levou um "coice" durante a confusão.

"Eu fui lesionado. Me empurraram e me machucaram. Outros colegas sofreram algum tipo de lesão e isso nos envergonha, porque na verdade era para ser uma coisa democrática. Quando estamos em um estado democrático de direito temos o direito de manifestar o voto. Agora, atitudes deste tipo de agredir funcionários, agredir membros do conselho do próprio vice-presidente da Fecomércio, e seus advogados, é uma coisa não aceitável. Isso nos entristece muito", disse Amarilton.