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Presidente do TCE cobra ‘choque de gestão’ para resolver falta de água em Várzea Grande; ‘abandono histórico’

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Só Notícias (foto: Só Notícias/Lucas Torres/arquivo)

o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE), conselheiro Sérgio Ricardo, cobrou “choque de gestão” por parte da prefeitura para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande e avaliou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.

Ele discursou na audiência pública, ontem, para tratar da atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município. “Faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.

Sérgio recordou que o município enfrenta cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários. “71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.

Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060 e, para atingir a meta de universalização de 90%, até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1,5 mil quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual. “É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, concluiu, através da assessoria.

O governo do Estado fez, recentemente, termo de ajustamento de conduta e vai aportar R$ 60 milhões para plano emergencial e reduzir impacto do desabastecimento de água.

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