Política

Presidente do PSDB depõe e confirma caixa 2 em campanha

O presidente do PSDB e senador Eduardo Azeredo compareceu espontaneamente na manhã de hoje à CPI dos Correios. Ao ler um extenso discurso, Azeredo reconheceu que sua campanha de reeleição em Minas Gerais em 1998 teve caixa 2. No entanto, segundo afirmou o político, a decisão de criar o caixa 2 foi do coordenador administrativo-financeiro de sua campanha Cláudio Mourão da Silveira.
» Tudo sobre a crise no governo
» Fórum: opine sobre a crise no governo

O senador disse que o coordenador-financeiro da campanha admitiu em carta que não declarou todos os recursos para as campanhas para deputados na chapa majoritária. Segundo o senador, Mourão pediu apoio financeiro da SMP&B a candidatos a deputado e não inclui as despesas na conta da campanha majoritária, pois, entendia que as contas deveriam ser prestadas nas contas de campanha dos parlamentares.

“Somente agora compreendeu que o entendimento era de que ele o faria”, disse o senador, enfatizando que a responsabilidade por esses aportes foi da coordenação de campanha. “Permaneço, pois, com a consciência tranqüila de que me pautei pela lei e pela ética, ao prestar contas da campanha com os fatos e documentos que conhecia”, disse. Azeredo afirmou que a prestação de contas de sua campaha foi aprovada “sem ressalvas” pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Segundo denúncias, a empresa DNA, ligada a Valério, teria contraído junto ao Banco Rural empréstimo de R$ 11,7 milhões oferecendo como garantia contratos assinados com a Secretaria de Comunicações e Governo de Minas Gerais. O senador negou as acusações. “Nunca jamais, em nenhuma hipótese, admitiria que o meu governo autorizasse um empréstimo da natureza que noticia a imprensa”, afirmou.

Segundo ele, não há aval dele, do seu governo ou do PSDB em qualquer empréstimo de agência. “Isso será, no mínimo, uma insanidade ou algo inaceitável que eu não permitiria ocorrer. Quem conhece minha vida pessoal e política sabe disso”, ressaltou. De acordo com Azeredo, durante sua gestão no governo de Minas Gerais não foi avalizado empréstimo tomado pela DNA ao Banco Rural.

Azeredo ainda afirmou que é essencial que se separe com clareza a questão dos financiamentos de campanha eleitoral das investigações sobre a suposta prática de compra de voto de parlamentares, chamada de “mensalão”. “Não aceito que se cometa sobre mim e o meu partido a tentativa proposital e calculada de se confundir e misturar acusações sobre gastos de campanha com graves denúncias de corrupção sistêmica”, afirmou.

“Não se pode, assim, misturar e confundir a prestação de contas de minha campanha com empréstimo realizado entre terceiros, sem meu conhecimento e sem minha aprovação. Quero reafirmar também que não participei de qualquer decisão de quem quer que fosse no sentido de listar nomes que deveriam receber doações”, afirmou o senador.

Azeredo disse que tentam incriminá-lo e colocá-lo junto com os demais que estão sendo acusados e investigados pela CPI. Ele repudiou o fato, negando as acusações. “Permaneço com a consciência tranqüila de que me pautei pela lei e pela ética, ao prestar contas da campanha com os fatos e documentos que conhecia”, afirmou.

O parlamentar apresentou documentos mostrando que eventuais irregularidades ocorridas em sua campanha de reeleição em 1998 não tiveram o seu conhecimento e muito menos a sua autorização.

“A minha campanha ao governo de Minas prestou contas de mais de R$ 8,5 milhões em 1998. A revista Veja destacou na época que foi a campanha de custo mais alto entre as realizadas pelos candidatos a governador. De fato, a prestação de contas foi a mais alta, mas certamente não foi a campanha mais cara”, disse em seu pronunciamento.

A existência de caixa dois foi a razão alegada ontem para que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, renunciasse ao mandato de deputado. Em seu discurso, Costa Neto confirmou a existência de caixa dois, mas negou que houvesse o pagamento de “mensalão”.

O presidente do PSDB antecipou-se a uma convocação para explicar notícias que saíram a seu respeito na imprensa. Ele não é integrante da CPI, mas pode comparecer, como senador, às reuniões da comissão e pedir a palavra. Apesar das explicações, o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou que Azeredo poderá vir a ser convocado posteriormente.