Política

Prefeito não descarta ‘lockdown’ em Cuiabá se contaminação crescer acima de 10% ao dia

O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) não descartou decretar ‘lockdown’ na Capital e colocou um limite: se o número de infectados pelo novo Coronavírus subir mais de 10% ao dia, ele determina o fechamento total da cidade. Um agravante citado pelo gestor foi colapso da saúde no interior do estado, a exemplo de Sinop, Sorriso e Cáceres, que já não têm mais leitos de UTI disponíveis, segundo a Secretaria de Estado de Saúde. Por causa disso, Pinheiro espera mais pacientes ocupando leitos em Cuiabá.

“Só teremos o ‘lockdown’ se houver um descontrole total e os casos começarem a subir mais de 10% ou 12% ao dia. Estamos na nova fase de conviver com o vírus. Não posso trancar a população até dezembro. A população precisa trabalhar. Não adianta o armazém estar aberto e a população não ter dinheiro para comprar. Temos que ter a retomada das atividades gradual com responsabilidade. Mas se houver um ‘boom’ da doença, nós temos um planejamento de fechamento ou medidas severas para serem tomadas”, afirmou o prefeito em entrevista à rádio Jovem Pan de Cuiabá.

Segundo Pinheiro, Cuiabá tem aproximadamente cem leitos dedicados à Covid-19 com taxa de ocupação entre 25% e 30%. A taxa de crescimento da doença está em 8% ao dia. Ele acredita que até julho, o sistema de saúde de Cuiabá suporta a demanda, se não houver surto inesperado por causa da falta de prevenção no interior. O prefeito credita o bom momento da Capital às primeiras medidas de isolamento social adotadas em março.

“Temos vagas na UTI, mas é algo que aumenta diariamente. Pois o vírus é brutal. Tudo pode mudar do dia pra noite. Temos 55 leitos de UTI no antigo Pronto-Socorro de Cuiabá, mais 40 no Hospital São Benedito e mais 10 que vamos lançar em menos de uma semana. Até julho o sistema de saúde resiste. Repito, o vírus não tem cura, ele cresce com uma velocidade forte e tem alto poder de propagação. Por isso o isolamento é a melhor medida. O nosso trabalho diário mostra que o vírus cresce 8% ao dia. Não tem como fazer muro de arrimo e isolar Cuiabá. Cuiabá é enorme e tem Várzea Grande ao lado, que juntos tem 1 milhão de habitantes. Quando se relaxa mais, mais potencializa o caso. Até julho temos uma atenção maior”, ressaltou Pinheiro.

Só Notícias/Marco Stamm (foto: arquivo/assessoria)