Política

Gilmar Mendes diz em Cuiabá que poderia ter mandado Lula ir para casa antes

A presença do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, no Hospital Municipal de Cuiabá ofuscou a visita guiada que o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) propôs na tarde desta sexta-feira. Com a soltura do ex-presidente Lula, esta tarde, o ministro comentou sobre a polêmica em volta da prisão em segunda instância.

Em entrevista coletiva, Gilmar Mendes disse estar tranquilo quanto às críticas que circulam nas redes sociais atacando o STF, ou até mesmo de políticos da oposição. “Muita gente se elegeu com a mensagem da Lava Jato, portanto, é normal que ecoe esse tipo de coisa. Mas é preciso que a gente discuta e dialogue, mostre essas realidades”.

Para o ministro, a prisão em segunda instância afoga ainda mais a carceragem no Brasil. “Temos de um lado o caos na segurança publica, mas veja, quando a gente centra só na questão da 2ª instância, a gente esquece uma coisa: temos no Brasil, alguma coisa como 150 mil presos, dos quais 41% são presos provisórios. Quando falo preso provisório, eu falo de sem sentença, foi preso por uma ordem judicial e está sem condenação alguma. É um número muito grande. Nós temos que fazer um imenso esforço, mutirão e tudo mais para julgar os casos dos réus presos”.

Em relação ao caso do ex-presidente, Gilmar Mendes não mudou de opinião quanto à derrubada da prisão em segunda instância do STF. Também criticou a imprensa que, segundo ele, tem grande responsabilidade na polarização política. “O caso do Lula é constrangedor. Poderia ter mandado ele para casa antes. A mídia opressiva faz com que o tribunal tenha medo. É preciso fazer a autocrítica”.

Após 580 dias preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, Lula teve a saída autorizada pelo juiz Danilo Pereira Júnior, logo depois de o STF derrubar a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância.

Só Notícias/Gazeta Digital (foto: Só Notícias/arquivo)