Política

Pedro Henry pede para ser investigado e mantém candidatura

“As denúncias de corrupção envolvendo o Coongresso e Governo, apresentadas à Nação pelo deputado Roberto Jefferson são contundentes, extremamente graves e precisam ser rigorosamente apuradas”. A afirmação foi feita nesta quinta-feira, em Cuiabá, pelo deputado federal Pedro Henry (PP), em sua primeira entrevista coletiva após o pronunciamento do parlamentar do PTB do Rio de Janeiro, acerca da existência do “mensalão”, espécie de mesada paga pelo Governo Lula para garantir a aprovação de projetos. Henry aparece na denuncia de Jefferson como um dos organizadores do sistema de pagamento.
     
A partir disso, Henry disse quer ser investigado. Primeiro pelos mecanismos do Congresso Nacional. Inclusive, ele informou que já prestou, na quarta-feira, depoimento na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. O deputado federal por Mato Grosso também se disse disposto a abrir seu sigilo bancário, fiscal e telefônico para a Polícia Federal e Ministério Público Federal. “Não quero que pairem dúvidas sobre minha conduta” – disse Henry, que negou todas as acusações formuladas por Jefferson e também do secretário-geral do PP, Benedito Domingos.
     
Enfático nas ponderações e contundente no estilo, Pedro Henry se mostrou certo de que não tem culpa no cartório. Ao ponto de considerar que o projeto de sua candidatura ao Senado Federal está mantido, não sofrendo qualquer mudança de curso. “A vida pública tem várias nuances. Uma delas é que a versão muitas vezes prevalece sobre o fato. Ser acusado injustamente, é para mim, devo confessar, doloroso, mas esse sofrimento vai ser superado” – disse, em carta aberta.
     
Ao lado de deputados que integram a bancada do PP na Assembléia Legislativa e também de vereadores e prefeitos do partido, Henry afirmou que o deputado Roberto Jefferson “disse o que quis e não apresentou prova alguma”. Segundo ele, o depoimento na Comissão de Ètica trouxe como revelação mais importante e grave, que precisa ser ressaltada, o fato de que “não tinha prova de nenhuma das denúncias que estava fazendo”.
     
“Se a falta de provas não invalidou suas denúncias até agora, não pode invalidar também a defesa de ninguém” – acrescentou Henry. Com efeito, Henry condenou o que ele chamou de “denuncismo”. Citado nominalmente pelo deputado Roberto Jefferson como sendo um dos beneficiados pelo denominado “mensalão”, Pedro Henry observou que as quatro pessoas mencionadas pelo parlamentar fluminense negaram a existência da conversa sobre o “mensalão”. Henry observou que o próprio José Múcio, líder do PTB, presente na Comissão de Ética e de frente a frente com o acusador, negou novamente a existência de tal conversa, sem que Jefferson o contestasse.
     
Sobre a denúncia de que o deputado federal Íris Simões havia o procurado para dissuadir-me de cooptar deputados do PTB, Henry foi novamente enfático: “Nunca ele me procurou e nunca houve tal conversa”. E foi mais além: disse que não conhece pessoalmente Simões. “Se ele estiver nesta sala não saberia dizer que é ele” – comentou Pedro, que admitiu que feito convites para deputados de vários partidos filiarem-se ao PP. “Isso é absolutamente normal, e faz parte do papel do líder, mas jamais ofereci sequer promessa de vantagens financeiras”.