O empresário Mauro Mendes segue com a lenga-lenga de sempre: viaja pelo interior, discute projeto de desenvolvimento, conversa com políticos, da entrevistas, mas… não assume que é candidato ao Governo do Estado pelo PSB, partido a qual encontra-se filiado. Uma estratégia considerada natural enquanto tenta arregimentar apoio ao seu nome junto a outras siglas – principal desafio do momento. Seja qual for o desfecho, no entanto, uma coisa é certa: ele garante que não vai ser candidato à vice de quem quer que seja ou mesmo disputar o Senado Federal em uma das duas vagas de Mato Grosso. “Não estou atrás de cargo” – disse o empresário, que se diz “socialista moderno” de carteirinha.
Mendes negou que tenha recebido convite ou sondagem por parte do PMDB para scompor com Silval Barbosa, vice-governador que está perto de assumir em definitivo o Governo já na condição de candidato a reeleição. No posicionamento, se livrou da polêmica negociação do seu partido com o próprio Silval e também com o presidente do PMDB, implementada pelo presidente da sigla, deputado Valtenir Pereira, que busca a reeleição. E se recebesse – ou se fosse negociado – não aceitaria.
Por mais que tenha usado da diplomacia, Mendes deixou bem evidente o que pensa sobre o vice: “Fica sempre ali, no cantinho, quietinho”. Segundo ele, essa condição não fecha com o seu perfil. O empresário disse que seu negócio é trabalhar de 12 a 14 horas por dia. Insiste que a questão é de perfil. Para ele não serve ser vice. Ao invés disso, melhor ficar cuidando das suas empresas, com a qual acredita estaria contribuindo muito mais que como vice de Silval ou de outro candidato qualquer ao Governo.
Também disse que nunca pensou no Senado Federal ou outro cargo legislativo por questões ainda de perfil. A possibilidade de ser candidato ao Senado foi feita no começo da semana pelo senador Jayme Campos, do DEM, que busca reforçar a aliança do seu partido com o PSDB, tentando atrair outras siglas. Depois de recontar a história de sua vida, Mauro Mendes diz que prefere mesmo governar.
Apesar de tentar passar que tem um jeito novo e diferente de fazer política, Mauro Mendes traz alguns ranços da militância no segmento. Por exemplo, na arte de espalhar a cizânia. Ele diz que tem muitos amigos no Partido da República e que até gostaria, na hipótese de ser candidato, contar com o apoio dos republicanos. Negou que tenha deixado a sigla desgastado pela atitude de sair quando ninguém esperava e sem dar uma explicação convincente. E continua sem explicar nada. Se limita a dizer que procurou um caminho que tem mais a ver com o que pensa. Mauro se diz socialista e elogiou Valtenir Pereira. Disse que falou com o governador e pronto.
No último final de semana, Mendes esteve com o governador Blairo Maggi, numa residência na região do Lago de Manso para um almoço. Ele garantiu que não houve uma discussão política. Mauro considerou que jamais esteve estremecido com Maggi, a quem esparramou elogios, em que pese o governador ter declarado publicamente que não havia gostado do comportamento político do “amigo”, a quem ajudou a introduzir na política. Ao contrário do que prega, Mendes foi consultado quando estava no PR se queria ser candidato ao Governo, segundo Maggi.


