Política

Maggi diz que não sente culpado pelo desmatamento em Mato Grosso

O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, apontado como o grande vilão do desmatamento da floresta amazônica por causa do fomento a produção e expansão da soja, tem sua versão para os índices divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo ele, o desmatamento registrado no Estado “não significa nada”. E acentuou: “Eu não sinto a menor culpa pelo que estamos fazendo aqui”.

“Atacam a nossa soberania e ninguém sai em nossa defesa. Assim vão permitir o esquartejamento da Amazônia” – revoltou-se Maggi, em entrevista a revista “Isto É”, referindo-se a um suposto plano internacional para tomar conta da Amazônia brasileira. A revista mostra ainda que o general Luiz Gonzaga Lessa, presidente do Clube Militar e ex-comandante militar da Amazônia, também sentiu cheiro de fumaça. “Isso é lobby econômico disfarçado de ideologia ambientalista”, resume.

O historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira, autor de “As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos”, também vê interesses escusos na grita da semana passada. “Essas ONGs não são inocentes. Servem aos interesses das transnacionais que estão sendo afetadas pela competição agrícola do Brasil”, afirma o professor. “Essa celeuma visa apresentar à ONU um projeto de internacionalização da Amazônia.”

As ponderações de Maggi, o “rei da soja”, são apoiadas por Adilton Sachetti, prefeito de Rondonópolis e um dos maiores plantadores de algodão de Mato Grosso. Amigo particular do governador, Sachetti lembra que o Estado tem área de 90 milhões de hectares, dos quais apenas 8 milhões são de plantio. Outros 50 milhões de hectares são cobertos por florestas intocadas. Ele pondera que os americanos, a despeito das suas ONGs, têm 33% do seu PIB ancorado na agricultura: “Falar que a soja é responsável pela degradação do ambiente é fachada. Eles temem é que o Brasil roube mercado dos americanos”.

A tese dos que estão explorando a floresta Amazônica consiste em mostrar o jogo de interesses por trás do conceito ambiental e do alarmismo decorrente dos índices do próprio Governo Federal. “Isto É” sustenta que o Brasil tornou-se, nos últimos anos, o maior exportador de soja do mundo, com 36,2 milhões de toneladas, ultrapassou os Estados Unidos e “Mato Grosso de Maggi lidera a produção nacional, sua soja esbarra na chamada Amazônia Legal e invade a zona de transição botânica entre o cerrado e a floresta equatorial”. Existe uma queda de braço entre agricultores e o Governo. Os agricultores dizem que esse território é cerrado e insistem em plantar 50% da área de suas propriedades. O Governo diz que é floresta e admite o plantio de apenas 20%.

Há outro mercado em jogo, o da madeira. Nos últimos três anos, a Amazônia multiplicou por cinco a sua área para exploração de madeira certificada, com selo verde para exportação legal. Mas a tese do Greenpeace é a de que a madeira da Amazônia não deve ser explorada nem mesmo como manejo florestal. No fundo desse debate, está o fato de que o Brasil caminha, rapidamente, para dominar tanto o mercado internacional de móveis e madeiras quanto o de papel e celulose.

Há no segmento 40 projetos em andamento, com investimentos previstos de R$ 6,7 bilhões. “Muita gente não se conforma com o fato de uma área com o tamanho e o potencial da Amazônia ser controlada por um país subdesenvolvido como o Brasil”, afirma Lorenzzo Carrasco, organizador do best-seller “Máfia Verde”. “Algumas ONGs funcionam como forças de guerra irregulares e o governo brasileiro tem sido excessivamente submisso a essas pressões”.