Política

Jornal inglês diz que brasileiro é favorito para ser o novo Papa

Depois de ser divulgado no jornal inglês que o arcebispo brasileiro é um dos favoritos à sucessão do papa João Paulo II, o Portal Terra tentou conversar com o religioso, mas a residência arquiepiscopal informou na manhã de hoje que Hummes não irá conceder entrevistas, pois está afônico.

Em uma matéria intitulada “Cardeal brasileiro radical lidera corrida pela sucessão” (Radical Brazilian cardinal leads succession race), o diário inglês diz que a América Latina, que tem 21 cardeais com direito a voto e abriga a metade dos católicos do mundo, deve assumir uma posição firme durante o conclave, a assembléia de cardeias que escolherá o sucessor de João Paulo II.

O nome de Hummes seria, então, o mais provável indicado, por se tratar de homem forte dentro da Igreja e por seguir a doutrina conservadora que norteou o papado de João Paulo II. Outros dois nomes cogitados são os de estão Norberto Rivera Carrera, arcebispo da Cidade do México, e Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires.

No caminho do brasileiro de 70 anos, segundo o Sunday Times, estaria seu ativismo em relação às questões sociais, onde é “sem dúvidas um radical”. O arcebispo teria como interesse principal “aplicar o evangelho a questões de ‘justiça econômica'”.

Nascido em 1934, em Montenegro, no Rio Grande do Sul, Cláudio Hummes é considerado um sacerdote “de centro”, a meio caminho da ala conservadora da Igreja brasileira e dos defensores da Teologia da Libertação. Desde 1998, ele dirige uma das principais arquidioceses do mundo, composta de 261 paróquias que agrupam algo em torno de nove milhões de fiéis.

O teólogo Osmar de Carvalho escreveu sobre Hummes, na época de sua nomeação ao posto de cardeal por João Paulo II, em 2001, que ele estava “em sintonia total com o Papa, ele é 100% Vaticano”, em oposição ao seu predecessor em São Paulo, o “progressista” dom Paulo Evaristo Arns, 83 anos, um dos principais representantes da Teologia da Libertação, doutrina que encontrou terreno fértil no Brasil durante o período da ditadura militar, de 1964 a 1985.

Hummes apoiou as greves dos trabalhadores no final do regime, quando era bispo de Santo André (SP). Na época, ele abriu as portas de sua paróquia para reuniões sindicais clandestinas