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Polícia prende mais de 35 na operação Tentáculos e combate facção no Médio Norte

Investigadores da Polícia Civil cumpriram, até o início da tarde, 39 dos 58 mandados de prisões de envolvidos com facções criminosas em Campo Novo dos Parecis, Tangará da Serra, Barra dos Bugres, Cuiabá, Rondonópolis e Juína. 18 acusados já estavam presos na capital e Rondonópolis e das celas, usando celular, ordenavam execução de vários crimes – associação para o tráfico de drogas tanto ” no interior das cadeias quanto fora delas, agindo de maneira extremamente organizada, usufruindo de proteção imposta pelo medo, desde a eliminação dos rivais para tomar e estabelecer territórios, administrando eventuais conflitos e impondo regras”. A maioria dos presos até agora é de Campo Novo e a investigação aponta que os criminosos são integrantes de facção criminosa ou ligados a facção.

O delegado Adil Pinheiro de Paula, explicou que “a Polícia Civil começou a monitorar integrantes da organização criminosa que atua no Médio-Norte”. “Identificamos que a chefia dessa organização parte de dentro das cadeias. A operação então passou a focar nos líderes da organização nas principais cadeias do Estado” e “conseguimos identificar toda a coluna vertebral, a espinha dorsal da organização, que espalhou seus tentáculos no Médio Norte “. Ele acrescentou que as lideranças, mesmo cerceadas de liberdade, mantêm contato com comparsas e familiares para passarem ordens, deixando claro que sentem-se impunes, protegidos sobre as grades das cadeias, de onde não deveriam ter contato com crimes, seja internamente ou externamente.

Os criminosos também acessavam publicações da venda de produtos na internet e mantinham contato com os vendedores negociando a compra, alegando pagamento com depósito bancário em envelope vazio. Outro golpe aplicado é o chamado “bença tia”, que consiste em enganar pessoas, especialmente idosos, falando ser um sobrinho, por exemplo, e após convencer a vítima, informa que está com o carro quebrado na estrada ou outra situação, necessitando de dinheiro para seu conserto.

O dinheiro dos golpes sempre cai em conta de aliados, que sacam ou transferem os valores, pulverizando de forma rápida a deixar prejuízo às vítimas, antes mesmo que elas consigam procurar a Polícia.

Modalidades distintas de arrecadação financeira também foram confirmadas, como o pagamento de mensalidades dos membros da organização e mensalidades de pontos de tráfico, as chamadas biqueiras/boca de fumo/lojinhas, entre outras formas.

O delegado Adil Pinheiro de Paula ressalta que o enfrentamento às organizações criminosas pelas forças de Segurança Pública tem sido dificultado pelo acesso do lideres a celulares dentro das principais unidades prisionais do Estado.

O inquérito da operação “Tentáculos” foi instaurado na Delegacia de Tangará da Serra e será remetido em 30 dias a 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Só Notícias (foto: arquivo/assessoria)