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Defesa afirma que delegado baleado em Sorriso agiu sob efeito de “estresse” e “grave sofrimento psicológico”

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Redação Só Notícias (foto: Só Notícias/Lucas Torres)

A defesa do delegado Bruno França Ferreira, baleado na última quarta-feira (13) em uma troca de tiros com um investigador da Polícia Civil em Sorriso, divulgou nota à imprensa na qual atribui o episódio a um quadro de “grave sofrimento psicológico”. O delegado permanece hospitalizado, sem risco de morte, mas foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil.

A defesa destaca que Bruno França atua como delegado há quatro anos na região de Sorriso, com reconhecido empenho no combate ao crime organizado. “Trata-se de um profissional que exerce sua função com bravura, muitas vezes sob risco pessoal, a serviço da segurança pública da população de Sorriso”, diz trecho da nota.

Segundo os advogados, no entanto, nos últimos dois meses, o delegado vinha atravessando “um período de grave sofrimento psicológico, precipitado por uma crise familiar de alta complexidade, somada ao peso acumulado de anos de trabalho em condições de extrema tensão”. A defesa alega que essa combinação gerou uma “deterioração progressiva de sua saúde mental, reconhecida e acompanhada de perto por sua família”.

A nota sustenta ainda que a situação envolvendo a troca de tiros é “inequivocamente reflexo desse quadro de stress” e que a própria Corregedoria-Geral da Polícia Civil reconheceu a “preocupação com a condição psíquica do delegado”, afastando a necessidade de prisão preventiva em razão desse contexto.

A defesa pediu à justiça de Sorriso que o delegado seja acompanhado por profissional especializado para avaliar, no aspecto clínico, a necessidade de afastamento do cargo e eventual retorno. As medidas cautelares alternativas à prisão, como afastamento temporário do cargo e suspensão do porte de arma, foram deferidas pela Justiça.

Conforme Só Notícias já informou, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que o investigador envolvido no caso, Roberto Pinto Ribeiro, foi ouvido e liberado após prestar depoimento. As investigações seguem para apurar todas as circunstâncias da troca de tiros. O delegado permanece hospitalizado e, em razão do estado de saúde, ainda não foi possível realizar seu interrogatório formal.

Bruno França foi baleado no final da noite de quarta-feira, no bairro Parque das Araras. Segundo a Polícia Militar, equipes do RAIO do 12º Batalhão da Polícia Militar ouviram diversos disparos e localizaram o investigador armado e em estado de nervosismo em frente à residência. Ele relatou que o delegado teria ido até sua casa para matá-lo, momento em que ocorreu a troca de tiros. Após negociação, o suspeito entregou as armas. O veículo do delegado, um VW T-Cross prata, apresentava cerca de 15 perfurações de tiros no para-brisa, na porta direita e na janela.

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