Polícia

Sinop: chuva atrapalha e perícia da reconstituição de morte de empresário que levou tiro de policial continua nesta 5ª

Os profissionais da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) irão continuar, nesta quinta-feira, os trabalhos de reconstituição da cena da morte do empresário Edmilson Martins de Lima, 37 anos. Ele foi atingido, no último dia 23, por um tiro de pistola 380, após brigar com o soldado da Polícia Militar, Jhonatan Ulysses, 28 anos, em um posto de combustíveis, na área central.

A reconstituição da cena teve início nesta terça-feira, porém, teve que ser suspensa por causa das chuvas, segundo o delegado Carlos Eduardo Muniz, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). “Houve excesso de chuva, que atrapalha, inclusive, a realização das cenas que necessitamos. O equipamento dos peritos é sensível. Em segundo lugar, os próprios participantes da reconstituição estavam tomando muita chuva e isso atrapalha a dinâmica dos fatos, que é essencial para montar o quebra-cabeça”.

Muniz adiantou, no entanto, que a investigação está em estágio avançado, restando algumas divergências a serem solucionadas. “O principal segue o mesmo caminho. Por isso, precisamos aparar algumas arestas, montar algumas peças e dar a resposta que a sociedade espera. A imagem (das câmeras do estabelecimento) bate com a maioria dos depoimentos, mas ela não traz som. Precisamos identificar o que foi falado. Uma dinâmica que, tanto um depoimento, quanto uma imagem, não são capazes de fornecer por si só”, explicou o delegado.

Nesta terça-feira, a reconstituição também foi acompanhada pelo delegado Ugo Ângelo Reck, que era o plantonista da Polícia Civil, no noite em que ocorreu o crime, pelo comandante da PM, major Victor Prado, além de advogados Edmilson e do policial, e duas testemunhas,sendo que uma delas era amiga da vítima. “É uma das várias que serão utilizadas nesta reprodução simulada dos fatos. Agora, temos mais quatro ou cinco (testemunhas) para que possamos fazer o mesmo trajeto, as perguntas similares e tudo que tem relação com o fato. A investigação está se fechando de modo favorável, e isso quer dizer que ela terá uma solução extremamente efetiva”, afirmou Carlos Eduardo.

De acordo com o perito Edson Gomes, a reconstituição feita nesta terçca-feira foi centrada no momento da luta corporal entre a vítima e o policial. “É um tipo de perícia requisitada por autoridade policial, Ministério Público ou juiz, quando há dúvidas para finalizar o inquérito. Fazemos toda a encenação do que ocorreu. Se houver necessidade de outro momento (do dia do crime), aí estendemos”, afirmou.

Conforme Só Notícias já informou, o soldado relatou que trafegava em uma GM S10, quando a vítima, que estava em uma Toyota Hilux SW4, “resvalou” em seu veículo. O militar disse que parou a caminhonete no pátio do estabelecimento, quando foi surpreendido por Edmilson, que estava “esbravejando e investindo contra sua pessoa”.

O PM contou ainda, conforme registrado em boletim de ocorrência, que foi agarrado e “esganado” por Edmilson, que, “de forma violenta”, tentava imobilizá-lo. A mulher que estava com o policial também prestou depoimento e relatou que tentou intervir e separar a briga. Porém, segundo ela, os esforços “foram em vão”.

Duas testemunhas também deram versões para o caso. Uma delas disse que presenciou “uma discussão verbal, que evoluiu para embate corporal mútuo”. Segundo esta pessoa, Edmilson segurava os braços do soldado, quando, houve o disparo de arma de fogo. Em seguida, a vítima caiu.

Já a outra testemunha disse que viu os dois homens em luta corporal e relatou que presenciou quando um deles agarrou nos braços do outro. O homem informou que, na sequência, ouviu um “estampido de arma de fogo” e enxergou um “sujeito” caído ao chão e uma aglomeração de pessoas no local.

Anteriormente, o delegado Ugo Reck disse que Jhonatan agiu em legítima defesa. “Antes mesmo que eu chegasse na delegacia, o policial já estava aqui, tinha se apresentado. Logo após os fatos ele telefonou para os bombeiros para dar socorro para vítima e pediu apoio policial em razão do número de pessoas que tinha no local, alguns amigos da vítima estavam alterados. Eu conversei com ele, fui ao local dos fatos, vi a vítima, conversei com testemunhas, analisei as imagens das câmeras de segurança e o conjunto das informações e das provas levantadas até aquele momento levam a crer que o policial agiu, na medida do possível, em legítima defesa”.

Segundo o delegado, o policial “não teve muita opção, a vítima tinha um porte físico muito maior que o dele. Pelo que as testemunhas e as imagens mostram, a vítima procurou o policial por duas vezes após ela ter causado uma colisão, que só provocou uns raspados no pára-choque (de um dos veículos). Uma bobagem que poderia ter terminado de outro jeito”.

Edmilson foi sepultado em Maringá (PR). Jhonatan, que tinha ferimentos nos joelhos, foi até a delegacia, onde prestou depoimento e foi liberado. A arma dele, com 11 munições intactas e uma deflagrada, conforme consta no boletim de ocorrência, foi entregue espontaneamente para ser periciada.

Só Notícias/Herbert de Souza (foto: Só Notícias)