domingo, 25/fevereiro/2024
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Vrum, vrum!

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Esse é o som que invariavelmente ouvimos quando estamos parados no semáforo, esperando o verde, quando, bem ao nosso lado, colados aos nossos retrovisores, encostam os motociclistas e iniciam seus diálogos monossilábicos, usando seus punhos para acelerar sem motivo suas motos, como se quisessem nos dizer: vamos, vamos!

E eles vão mesmo. Nem bem o sinal abre, brotam, por todos os lados, à frente, atrás, e, se arrancarmos um pouco mais rápido, estarão por baixo e se demoramos um pouquinho só, quase os veremos por cima. E nos assoberbam pela quantidade e variedade de comportamentos.

Entre as muitas vantagens das motocicletas, estão também os muitos problemas: os criminosos escondidos atrás dos capacetes, a epidemia mortal dos acidentes em que se envolvem, enchendo os leitos hospitalares e esvaziando os cofres públicos, além do estresse no trânsito gerado por essas formas diversas de conduzir, que menciono em lista não exaustiva:

(i) uns pelo rigor com que obedecem as regras, mantendo a distância regulamentar, exigindo seu espaço legal como se em quatro rodas estivessem, conduzindo irritantemente suas duas rodas em velocidade muito abaixo da regulamentar com a buzina sempre a postos e afiadas como navalhas;

(ii) outros, de forma totalmente desregrada, ultrapassam pela direita, quando o correto seria pela esquerda, e, pela esquerda, quando o correto seria pela direita; conduzem em meio aos carros em ziguezague como se fossem cerzir as faixas ao asfalto; e quando estão a fazer essas verdadeiras transgressões, como se fossem os únicos ungidos no direito de transgredir, não podem sofrer qualquer tipo de advertência de quem quer que seja;

(iii) os mais radicais, os chamados “cachorros loucos”, retiram os silenciadores dos escapamentos, conduzem pelos passeios e canteiros; na contramão; avançam e arrancam com o sinal no vermelho em plena luz do dia; não conhecem limites de velocidade e urbanidade; e

(iv) Mas tem também os normais que conduzem de forma sábia e inteligente, aproveitando com segurança as enormes vantagens da motocicleta no conturbado trânsito atual, vantagens que trago apenas as que julgo as mais importantes, em lista também não taxativa: (a) menor impacto ambiental pelo baixo consumo de combustíveis e baixas emissões de carbono, com redução dos custos e aumento do conforto e inclusão pela maior possibilidade de mobilidade urbana das classes E, D e C; e (b) melhor aproveitamento das vias públicas com maior eficiência, com aumento da velocidade média nos deslocamentos urbanos.

E como de resto, no Brasil, o que tem dificultado que essas vantagens superem os problemas é a falta de educação dos atuais condutores e, se mantida a atual política de formação dos condutores, dos futuros.

Sim, educação! Mas o e-leitor (leitor, eleitor e internauta) deve estar se perguntado, então tá, mas e os doidos (repiso, apenas os doidos!) daquelas motos enormes e caríssimas, que são empresários e profissionais liberais que em sua grande maioria têm formação superior?

Pois bem, esses são ínfima minoria e que, embora educados para a vida profissional, não o são para o trânsito e para o exercício da cidadania em sua plenitude.

A educação de que tratamos aqui, é a educação necessária para o bom convívio social, com sólidos fundamentos de educação para o trânsito, regada com os mais modernos conceitos de direção defensiva. Pois não é crível que continuemos a habilitar nossos condutores (motociclistas ou não) aos borbotões com provinhas de múltipla escolha.

Isso irá demandar muito investimento em educação fundamental de qualidade, da qual não podemos mais nos dar ao luxo de prescindir e devemos urgentemente priorizá-la, nas escolas e nas famílias.

E o vrum, vrum é automático, reparem. Não resistem. A cada pequena parada, lá vem: vrum, vrum. E imaginem o prejuízo financeiro e ambiental só por causa dessa tola mania. Para isso façamos a seguinte continha básica: considerando a frota de motocicletas que temos no Brasil, que é estimada em quase 20 milhões de unidades e que cada vrum-vrum consuma apenas uma gota de combustível (sendo que cada 20 gotas = 1 ml), e ainda, que cada condutor efetue apenas 20 desses vruns-vruns por dia. Fazendo a conta, teremos a espantosa cifra de 20 mil litros/dia só por conta desse famigerado e desnecessário vrum, vrum. São mais de 7 milhões de litros por ano!

Pois bem, se eu não pude convencer os motociclistas a se portarem melhor e a pararem com esse papo chatíssimo no semáforo através do que trouxe até aqui, peço, ao menos, que reflitam econômica e socioambientalmente, pois que cada uma dessas sílabas vale dinheiro, e lembremos que, de gota em gota se enche um tanque, e, de vrum em vrum, vamos contribuindo ainda mais para o aumento do aquecimento global e da piora da nossa qualidade de vida no planeta.

Adamastor Martins de Oliveira – cidadão de Mato Grosso
[email protected]

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