Opinião

Uma reflexão sobre como conhecemos e ignoramos o mundo

“Tudo aquilo que o homem ignora não existe para ele. Por isso, o universo de cada um, se resume ao tamanho de seu saber.” Esta frase, atribuída a Albert Eistein, nos faz refletir que, por mais que compartilhemos o mesmo mundo, os indivíduos podem interpretá-lo de formas distintas, conforme suas experiências e capacidade de compreender os fatos reais.

Adquirir conhecimento não é tarefa simples, pois não basta apenas ter acesso às informações. A professora Maria Terezinha Angeloni explica que transformar dados em informações e essas informações em conhecimentos depende das características individuais, como desejos, crenças, valores e metas pessoais, que formam o modelo mental de cada pessoa interferindo na codificação/decodificação desses elementos.

Sendo assim, existem informações que as pessoas buscam, informações disponíveis, mas julgadas irrelevantes, informações relevantes, porém, incompreendidas, e informações adivinhadas.

Há ainda, a falsa informação, aquela que não representa a verdade dos fatos. Em tempos de inundação de dados compartilhados no mundo digital, encontram-se criadores de conteúdos falsos, imprecisos ou manipulados e, de outro lado, temos receptores que sem condições de análise crítica replicam tais informações. Ora, se a ignorância está do lado oposto do conhecimento, a desinformação também deve estar.

Reconhecer isso é fundamental para a busca do conhecimento “verdadeiro” para evitar a ignorância da ignorância. Isso pode ser chamado como o efeito Dunning-Kruger, quando pessoas de baixa performance em muitos domínios sociais e intelectuais permanecem inconscientes sobre seu déficit de conhecimento.

Reconhecendo nossa racionalidade limitada resta-nos buscar constantemente conhecimento suficiente para termos condições de aproveitar as oportunidades de uma vida plena. O sociólogo Lenin Bicudo Bárbara em sua tese, “Investigações sobre a ignorância humana”, afirma que, é fato que não podemos nos livrar da ignorância, mas isso não implica que o mundo não possa ser impenetrável ao conhecimento.

Para concluir, cito uma frase de um dos maiores filósofos da ciência do século XX, Karl Popper: “Quanto mais aprendemos sobre o mundo, quanto mais profundo nosso conhecimento, mais específico, consciente e articulado será nosso conhecimento do que ignoramos”.

Fernando Wosgrau é administrador e mestre em Agronegócios. Atualmente é conselheiro no Conselho Estadual de Educação de Mato Grosso (CEE/MT) e coordenador de Educação a Distância da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação.