Opinião

Sua Excelência, o Rádio

Estreei na última sexta-feira como comentarista político de rádio. A experiência está acontecendo no programa Tribuna do Ouvinte, da Rádio Cultura AM de Cuiabá, comandado pelo jornalista Jaques Kalil, e dirigido pelos jornalistas Jurandir Antonio Francisco e André Ribeiro, tendo na técnica o competentíssimo Pelezinho.

O primeiro dia foi simplesmente bárbaro, fantástico. Sou bicho do mato, caipira, goiano nascido em Iporá e fui habituado, desde criança, a ouvir e apreciar rádio AM mais que a televisão. Até porque, embora minha família tivesse sido uma das primeiras a possuir TV naquela cidade, o rádio era muito mais interessante.

Depois foi a vez de Barra do Garças, já na adolescência, onde o rádio AM foi novamente o grande catalisador das emoções da minha geração.

Já em Cuiabá, comecei como jornalista trabalhando como repórter de rádio. O meu texto até hoje tem essa marca da objetividade e da clareza que o rádio exige por atingir a audiência só pelo sentido da audição, ativando sua imaginação.

Inevitável pensar neste momento como os políticos em geral desconhecem o poder do rádio, o instrumento portátil de comunicação que se tornou o companheiro mais próximo do homem simples, da mulher simples, não apenas para entretenimento, mas sobretudo como informação.

Wilson Santos, na própria Rádio Cultura, um dos símbolos de Cuiabá e da Baixada Cuiabana, descobriu esse poder do rádio. Sabiamente, aceitando um desafio do programa do Kalil, vai um dia em toda última semana do mês ao “Tribuna do Ouvinte” fazer um balanço de sua administração. Conversa, em média com 30 pessoas por vez, obtendo delas o feedback da sua administração, sem filtros.

Um marketeiro nato, Wilson inovou e está escolhendo aleatoriamente, entre os ouvintes participantes, um para visitar tão logo acabe o programa. Vai até sua casa e se apresenta pessoalmente para conhecer em maior profundidade aquele problema levantado. Um sucesso de público e crítica. Na sexta, o prefeito Murilo Domingos, de Várzea Grande, recebeu o mesmo desafio, por meio do seu vice, Nico Baracat, que foi entrevistado no programa. Veremos se Domingos terá a mesma percepção. Tomara que sim.

INIMIGOS – Recebi vários e-mails sobre o último artigo (O caso Vila). Um deles, do amigo Wilson Lemos, de Rondonópolis, quero compartilhar com meus leitores, pela forma e pelo conteúdo. Ei-lo:

“Caríssimo Kleber. (…) Como você, ultimamente tenho evitado fazer inimizades, mesmo aquelas inofensivas. Realmente a velhice, refiro-me ao meu caso, nos deixa mais tolerantes e indulgentes. Aliás, já fui um tanto avaro quanto à indulgência, pois esta, se concedida com prodigalidade e sem critérios, banaliza o perdão, emprestando impunidade à falta cometida e se transformando em incentivo à reincidência. Entretanto, mesmo correndo o risco de ser pródigo, decidi não mais fazer inimigos. Mas, não os faço por incapacidade de odiar – que hoje carrego; não por virtude – mas por preguiça de ter raiva. Um abraço do amigo, Wilson”.

KLEBER LIMA é jornalista e Consultor de Comunicação da KGM