domingo, 25/fevereiro/2024
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Sonho e comércio

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Vamos imaginar que a rodovia 163, ou Cuiabá-Santarém, um dia seja asfaltada. Por ela, além de sair produtos de Mato Grosso para qualquer lugar do mundo, poderiam vir bens industrializados da Zona Franca de Manaus para esta região e ir mais além.

Chegando esses produtos até Cáceres, continua o sonho, através da hidrovia Paraguai-Paraná, se poderia levá-los aos países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai). Também, em sentido contrário, a Argentina subiria o rio, pegaria a rodovia 163 e venderia seus produtos na Amazônia brasileira.

Os três países do Mercosul têm um PIB de quase 600 bilhões de dólares, com uma população de 51 milhões de habitantes. A Bolívia não faz parta dessa integração econômica, mas é cortada pela hidrovia, tem um PIB de 39 bilhões de dólares e uma população de quase dez milhões de habitantes.

Junto com os bens industrializados de Manaus, produtos da agroindústria de Mato Grosso também aproveitariam essa alternativa de transporte para vender na mesma integração econômica regional.

Um dia também, se o sonho permite, a rodovia entre San Matias (100 km de Cáceres) e Santa Cruz de La Sierra será asfaltada. Os produtos da Zona Franca de Manaus, vindos pela rodovia 163, poderiam ir por ali e levados para os países dos Andes sem a necessidade, como hoje, de atravessar meio mundo por mar para chegar lá.

MT também poderia usar essa rota para vender produtos da agroindústria e comprar de lá, por exemplo, todos os componentes para o fabrico de fertilizantes. Além de sal para o gado, que ali existe em gigantescas quantidades a céu aberto. Numa distância menor do que o do Rio Grande do Norte.

A população dos países andinos está hoje em cerca de 145 milhões de habitantes, distribuída por um território de 5,4 milhões de km2. O PIB global da Colômbia, Venezuela, Peru, Chile, Equador e Bolívia é de um trilhão de dólares.

Com a sonhada união dos transportes rodoviários (e da hidrovia), qual estado brasileiro, exceção do Mato Grosso do Sul, estaria em condições de competir com MT por aquele enorme mercado?

A ligação por asfalto do Acre ao Peru, em andamento, teria dificuldades para transportar bens da Zona Franca para os países andinos. Pelo nosso lado não, além de levá-los para o Mercosul pela hidrovia Paraguai-Paraná.

A ligação já pronta entre Corumbá e Santa Cruz de La Sierra não estaria também em condições de competir com nossa posição geográfica. Os produtos da Zona Franca, vindos pela rodovia 163, para serem exportados para os Andes, teriam que descer o longo trecho da hidrovia de Cáceres a Corumbá para então pegar a rodovia até Santa Cruz. Mato Grosso, pelo contrário, receberia os bens pela 163 e ia direto para os Andes através de San Matias.

Por que os estados do Amazonas, Pará e MT não tentam, em conjunto, viabilizar esses modais de transportes? Ou pelo menos produzir um estudo de viabilidade econômica para saber se é possível ou não tal empreitada em logística de transporte? Ou vamos esperar, como alguns já andam falando, que os chineses, sabe lá quando, transformem esse sonho em realidade?

Alfredo da Mota Menezes é articulista político em Mato Grosso.

 

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