Existem pessoas que atravessam a vida com os desejos enfraquecidos pela insegurança e pela falta de confiança. Carregam consigo uma fé vacilante, alimentam pensamentos de derrota e vivem como se a alma estivesse vazia. Caminham sem deixar marcas, fazem perguntas, mas não aguardam as respostas. Gastam tempo com aquilo que nada acrescenta e, antes mesmo de colher os frutos das próprias sementes, já desistiram da colheita.
Rejeitam quase tudo, não encontram prazer em quase nada e, mesmo quando a felicidade bate à porta, ela encontra o coração fechado.
Entretanto, há sempre um caminho para quem deseja compreender a si mesmo.
Foi movida por esse desejo que uma jovem chamada Maria das Dores procurou o Mestre do Lago do Manso. Ela carregava muitas dúvidas, muitos sofrimentos e uma profunda sensação de vazio.
Depois de um longo silêncio, iniciou a conversa.
— Mestre, por que vivo acumulando frustrações e carregando tanta tristeza dentro de mim?
O Mestre fitou profundamente os olhos da jovem, como se procurasse enxergar além das palavras.
Então respondeu:
— A resposta talvez esteja na força dos seus desejos. Muitas pessoas desejam, mas desejam sem convicção. Querem conquistar, porém já alimentam a dúvida antes mesmo de começar. A mente cria imagens da derrota antes de permitir que a esperança floresça.
Quantas vezes desejamos um grande amor, uma profissão, uma conquista ou um sonho? E quantas vezes ouvimos pessoas experientes afirmarem que, quando um propósito é sustentado pela perseverança, pela disciplina e pela fé, ele ganha força para transformar a própria realidade?
Maria permaneceu pensativa e voltou a perguntar:
— Mestre, eu faço de tudo para mudar minha vida. Faço promessas, rezo, esforço-me, mas as poucas conquistas que alcanço parecem sempre incompletas.
O Mestre sorriu serenamente.
— Porque você olha apenas para o brilho das conquistas, mas toda realização também traz responsabilidades. Às vezes desejamos intensamente alguma coisa e, quando ela finalmente chega, percebemos que nos tornamos prisioneiros daquilo que tanto queríamos possuir.
Nem todo desejo realizado produz felicidade.
Tudo depende da intenção que lhe deu origem e da forma como será vivido.
Há desejos que libertam.
Outros aprisionam.
Ainda confusa, Maria insistiu:
— Mestre, por que isso acontece justamente comigo?
O Mestre respondeu com tranquilidade:
— Não acontece apenas com você.
Quantos médicos desejaram exercer a medicina e hoje enfrentam noites sem descanso para salvar vidas?
Quantos jornalistas sonharam com a profissão e sacrificam feriados para cumprir sua missão?
Quantos atletas suportam dores intensas para alcançar uma medalha?
Quantas pessoas lutam para conquistar um grande amor e, anos depois, desejam apenas recuperar a paz?
Todos eles realizaram um desejo.
Mas toda conquista cobra um preço.
A felicidade não depende apenas de alcançar um objetivo, mas de saber viver com aquilo que foi conquistado.
Depois de longo silêncio, Maria fez a pergunta que mudaria toda a conversa.
— Mestre, então como posso transformar minha vida?
O Mestre respondeu:
— Transformando primeiro seus pensamentos.
Nossa mente possui enorme influência sobre nossas escolhas. Os desejos nascem do coração e são fortalecidos pelas atitudes.
Quando alimentamos sentimentos como bondade, compaixão, honestidade e respeito, criamos condições para construir uma vida mais equilibrada.
Mas quando cultivamos inveja, vingança, egoísmo, traição ou ressentimento, somos nós mesmos que carregamos esse peso.
Aquilo que repetimos continuamente em nossos pensamentos influencia a maneira como enxergamos o mundo e também a forma como agimos diante dele.
Quem vive alimentando apenas o medo encontrará motivos para temer.
Quem cultiva esperança encontrará forças para continuar.
Maria permaneceu em silêncio por alguns instantes.
Depois fez outra pergunta.
— Mestre… penso em seguir a carreira política. Gostaria de conquistar sucesso, reconhecimento e estabilidade. Será que esse é o meu caminho?
O Mestre compreendeu que aquela pergunta escondia outra muito maior.
Então respondeu:
— Antes de desejar qualquer posição de poder, descubra primeiro qual é a sua verdadeira missão.
O poder pode aproximar pessoas, mas também atrai interesses, vaidades, elogios passageiros e grandes responsabilidades.
Quem ocupa cargos públicos recebe a confiança de muitas pessoas e precisa conviver diariamente com decisões difíceis e com o peso das consequências de seus atos.
Nenhum cargo substitui o carinho da família, a paz da consciência ou a tranquilidade de dormir sabendo que fez o bem.
A verdadeira grandeza de uma pessoa não está na posição que ocupa, mas na maneira como serve ao próximo.
Os aplausos terminam.
Os cargos passam.
O poder é transitório.
Mas a consciência permanece.
Depois de alguns instantes, o Mestre concluiu:
— Os desejos possuem enorme força, mas exigem sabedoria.
Antes de desejar qualquer conquista, pergunte a si mesmo se ela também fará bem à sua alma.
Ilumine seus caminhos com o perdão, com a misericórdia, com a humildade e com o respeito por si mesmo.


