Sinop chega aos 52 anos com uma história que impressiona. Quem viveu os primeiros tempos sabe que nada foi fácil. Distâncias, estradas precárias, pouca estrutura, dificuldades na saúde, na educação, no transporte e na comunicação faziam parte do cotidiano.
Naqueles anos, ninguém conseguia muita coisa sozinho. Famílias, empresários, igrejas, entidades e comunidade precisavam caminhar juntas. A união não era apenas desejável. Era uma necessidade.
Também vivíamos um tempo marcado por uma expressão que traduzia uma missão para a Amazônia: INTEGRAR PARA NÃO ENTREGAR. Sinop, inserida na Amazônia Legal, fez parte dessa extraordinária história de ocupação, produção e desenvolvimento.
Passados 52 anos, a realidade é outra. A cidade cresceu, as pessoas naturalmente se espalharam, os interesses se multiplicaram e aquela convivência quase familiar dos primeiros tempos já não poderia permanecer igual.
Mas existe algo que não deveríamos perder: a capacidade de somar forças.
Talvez por isso tenha chegado o momento de dar um novo sentido àquela antiga expressão:
INTEGRAR PARA ENTREGAR.
Integrar poder público, iniciativa privada, trabalhadores, igrejas, entidades, universidades e toda a sociedade para entregar uma cidade cada vez melhor a quem vive aqui.
Sinop conquistou muito. Consolidou-se como a Capital do Nortão, referência para uma enorme região de Mato Grosso e também para o Sul do Pará. Essa condição não surgiu por decreto. Foi conquistada.
E, nessa história, precisamos reconhecer duas forças fundamentais:
DEVEMOS MUITO À INDÚSTRIA MADEIREIRA E AO AGRONEGÓCIO.
A indústria madeireira teve papel decisivo na formação econômica de Sinop, gerando empregos, movimentando o comércio e ajudando a estruturar a cidade.
Depois, o agronegócio assumiu extraordinária importância. Sinop passou a estar no centro de uma das regiões mais produtivas do país, cercada por cidades co-irmãs que também cresceram, produziram e ajudaram a fortalecer todo o Nortão.
O próximo passo precisa ser agregar ainda mais valor ao que produzimos. Industrializar mais, processar mais aqui, produzir bens acabados, gerar tecnologia, empregos qualificados e renda, diminuindo nossa dependência da simples exportação de matérias-primas.
Na educação, Sinop também alcançou algo extraordinário. Poucas cidades tão jovens podem se orgulhar de abrigar, ao mesmo tempo, uma universidade federal e uma universidade estadual, além de uma forte rede privada de ensino superior.
Formamos médicos, engenheiros, agrônomos, profissionais do Direito, da saúde, da tecnologia e de tantas outras áreas. Isso também é desenvolvimento.
Na saúde, avançamos muito e nos tornamos referência regional, embora ainda haja bastante a fazer para acompanhar o ritmo de crescimento da população.
E estamos diante de uma transformação tecnológica sem precedentes.
A inteligência artificial já modifica profissões, empresas, serviços, comunicação e a própria forma de administrar. Ninguém sabe exatamente até onde tudo isso chegará.
Sempre digo: a inteligência artificial é uma ferramenta. Se soubermos utilizá-la para o bem, com responsabilidade e inteligência, ela poderá ser uma extraordinária aliada.
Pode ajudar Sinop a planejar melhor, administrar melhor, produzir mais, economizar recursos e preparar nossos jovens para um mundo completamente diferente daquele em que nós, pioneiros, começamos.
Mas nenhuma tecnologia substituirá aquilo que construiu Sinop: a capacidade das pessoas de se unirem em torno de um objetivo comum.
E integração significa também saber somar forças quando estão em jogo os grandes interesses da cidade.
Quando nossas forças se pulverizam excessivamente em projetos individuais, podemos reduzir nossa própria capacidade de representação.
Dialogar, convergir e colocar os interesses de Sinop acima dos interesses pessoais também é INTEGRAR PARA ENTREGAR.
Sinop cresceu porque soube somar.
E talvez o maior desafio dos próximos oito anos seja reaprender a somar.
Porque faltam apenas oito anos para os 60 anos — o nosso jubileu de diamante.
Esses oito anos serão fundamentais.
A cidade cresce rapidamente e também cresce para cima. A verticalização traz novas exigências para o trânsito, a mobilidade, a drenagem, o saneamento, a infraestrutura e a ocupação urbana.
Precisamos começar agora a pensar na Sinop dos 60, dos 70 e, por que não, na Sinop dos 100 anos.
Uma cidade mais limpa, arborizada, florida e organizada. Canteiros cuidados. Calçadas onde as pessoas possam caminhar. Praças agradáveis. Ruas e avenidas bem iluminadas.
Costumo dizer que está passando da hora de Sinop passar um batom.
Não para esconder seus problemas, mas para valorizar aquilo que já construímos.
E existe uma questão que não pode mais esperar: SANEAMENTO BÁSICO, ESPECIALMENTE REDE DE ESGOTO.
Água, esgoto e iluminação pública são serviços essenciais, e o poder público municipal participa diretamente de sua regulação e do custeio desses serviços.
Hoje, esses custos pesam demais no bolso do cidadão. Precisamos discutir seriamente sua redução e exigir serviços compatíveis com aquilo que se paga.
Não combina com uma cidade da importância de Sinop ter trechos escuros, ruas sem iluminação adequada e uma rede de esgoto ainda distante daquilo que necessitamos.
No transporte, também precisamos buscar mais conectividade. Mais voos, maior concorrência e melhores opções podem ajudar a reduzir o custo das passagens e aproximar ainda mais Sinop do restante do Brasil.
Este não é um editorial de crítica.
É um convite à união.
Um convite para recuperar um pouco daquele espírito que existia quando Sinop era pequena e todos sabiam que, sem caminhar juntos, seria muito mais difícil chegar a algum lugar.
Não precisamos voltar ao passado.
Precisamos trazer para o presente aquilo que havia de melhor nele: a capacidade de dialogar, planejar, cobrar e construir juntos.
Sinop já mostrou que sabe crescer.
Agora precisa transformar crescimento em qualidade de vida.
Que, nesses oito anos até o jubileu de diamante, possamos chegar aos 60 não apenas maiores, mas melhores.
Mais organizados. Mais verdes. Mais bonitos. Mais industrializados. Mais tecnológicos. Mais humanos. Mais confortáveis. Mais seguros.
E, sobretudo, mais unidos.
Porque, depois de tudo o que esta cidade nos deu, talvez o melhor presente que possamos oferecer agora à NOSSA AMADA SINOP seja justamente este:
INTEGRAR PARA ENTREGAR.
Entregar desenvolvimento.
Entregar oportunidades.
Entregar conforto.
Entregar segurança.
Entregar qualidade de vida.
Entregar futuro.
PARABÉNS, NOSSA AMADA SINOP!
52 ANOS — A CAPITAL DO NORTÃO.
INTEGRAR PARA ENTREGAR.


