Opinião

O campo dá a resposta

Os produtores rurais e a classe política deram esta semana uma demonstração de unidade, determinação e ousadia ao promover o Tratoraço – O Alerta do Campo. O movimento levou a Brasília mais de 20 mil produtores de 12 estados, dois mil tratores e mil caminhões, mostrando a força de um segmento que tem carregado o país nas costas sob o ponto de vista econômico. Além de gerar empregos e arrecadação, o agronegócio é responsável direto pelos superávits da balança comercial brasileira e pelos avanços que a economia nacional vem apresentando. Em 2004, o saldo positivo das exportações brasileiras foi determinado pelo desempenho do agronegócio, com resultado estimado em aproximadamente US$ 30 bilhões.

Os produtores, lideranças políticas e empresariais ocuparam a Esplanada dos Ministérios para explicar à sociedade e ao governo federal as razões que geraram a atual crise no campo: aumento do custo de produção, queda dos preços agrícolas, perda da produção por problemas climáticos, ausência de seguro rural, defasagem cambial e dificuldade de prorrogação dos financiamentos juntos aos bancos, além da deficiência de logística e infra-estrutura para o armazenamento e escoamento da safra.

Depois de expor esta grave situação que afeta a economia dos estados e do país como um todo, os produtores conseguiram sensibilizar o Governo Federal, que autorizou a liberação de R$ 3 bilhões para pagamento das dívidas com fornecedores de insumos. O financiamento virá do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com juros de 5% anuais, mais Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). O presidente Lula ainda garantiu que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) reduzirá o prazo para a importação de insumos agrícolas de países do Mercosul, para diminuir custos. A reivindicação fora feita ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, durante a Agrishow Cerrado em Rondonópolis. Estas medidas são, sem dúvida, um alívio para os produtores e um alento para a economia dos estados.

A decisão do presidente da República foi uma prova de confiança e o reconhecimento da importância do segmento rural na sustentação da economia brasileira. Mostrou também que quando o setor produtivo e a classe política trabalham unidos em defesa da sociedade, os resultados são imediatos.

E esta tem sido a prática desta Assembléia Legislativa de Mato Grosso, que tem pautado suas ações na busca por soluções para questões que afetam o conjunto da comunidade. Em estreita parceria com as forças vivas da sociedade civil, o Parlamento estadual tem conquistado avanços expressivos que reforçam o conceito positivo dos deputados junto à comunidade. Recente pesquisa publicada pela Revista ISTO É/Instituto Databrain mostra que 54,9% dos entrevistados aprovam a atuação dos deputados mato-grossenses. A Assembléia Legislativa de Mato Grosso recebeu a melhor avaliação entre todos os parlamentos estaduais pesquisados.

E isso acontece porque a sociedade sabe que a Assembléia Legislativa é agente ativo de ações estratégicas para o desenvolvimento do Estado. Neste caso da agricultura, está tendo participação decisiva no encaminhamento das reivindicações dos agricultores. As sugestões foram reunidas na “Carta de Primavera do Leste”, resultado da maior audiência pública já promovida pela Assembléia, no início de junho. Mais de quatro mil pessoas entre empresários rurais, pequenos agricultores e representantes políticos de vários estados, participaram desta audiência e definiram as ações necessárias para se acabar com a crise que afeta a agricultura brasileira.
Em Mato Grosso, portanto, Estado que lidera a produção agropecuária brasileira, brotaram as sementes do movimento que ocupou Brasília e obteve importantes avanços para a agricultura brasileira. Não chegamos ainda onde os produtores reivindicam, mas sem dúvida conseguimos avanços. Quero aqui, em especial, destacar o empenho de cada produtor mato-grossense, que viajou centenas, milhares de quilômetros até Brasília para fazer o grito de alerta. Destacar também o trabalho da Federação dos Agricultores, bem como da Comissão de Agricultura da Assembléia – e todos os demais parlamentares – por uma luta que não é de um segmento, mas do próprio povo.
O tratoraço de Brasília foi, na prática, uma demonstração de que além de criar e aprovar as leis que estão melhorando a vida dos mato-grossenses, os parlamentares aperfeiçoam a fiscalização sobre o Executivo, mediam conflitos e estimulam o diálogo entre o Estado e a sociedade. Um parlamento verdadeiramente ativo, em defesa dos interesses da comunidade.

*Silval Barbosa (PMDB) é presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso.