Opinião

Não tem jeito, mesmo

O jornalista e editor de política do Jornal Agazeta-
Romilsom Dourado – na edição de domingo (4 de setembro de 2005), coloca sua
preocupação sobre minha honestidade e meu comportamento como homem público
tece comentários sobre meus problemas na iniciativa privada. Não tem
jeito. Esta é a expressão usada.

Acho mesmo que não tem jeito. Assim como este jornalista
coloca que terá que engolir o outro enrolado, quero dizer-lhe e deixar
claro a população e leitores do Mato Grosso que a muito tempo também estamos
engolindo ou tentando entender o porquê de tamanha preocupação a meu
respeito. É de longa data que este jornalista tece comentários maldosos a
meu respeito e fala de meu envolvimento no Caso Cooperlucas. Tenho a
dizer-lhe que nunca fui administrador desta cooperativa e/ou diretor
administrativo, consequentemente não tenho nenhuma responsabilidade sobre
supostos rombos praticados.Fui um mero associado e inclusive, não
compactuava com inúmeras ações desenvolvidas pelas diretorias dos “tempos
de ouro da Cooperlucas”.

Em 1997, quando os problemas da Cooperlucas já estavam
aflorados, participei de uma Assembléia Ordinária e fiquei estarrecido com
o que eu ouvi nos relatos apresentados na referida assembléia da qual
participava. Fiz algumas colocações e ponderações e para minha surpresa os
associados votaram em mim e pediram que eu assumisse e ajudasse no
Conselho Fiscal. Fui então eleito para ser um Conselheiro Fiscal da Cooperlucas.
Aceitei a missão porque não sou covarde, ou seja, não sou de correr de
responsabilidades postas em meu caminho. Alguém teria que fazer alguma
coisa. Conselheiro Fiscal, fiscaliza. Não administra. Entenda bem. Após
algumas reuniões do Conselho Fiscal que participei fiquei cada vez mais
estarrecido com o que havia sido feito na Cooperlucas e o que ainda estava
acontecendo naquela cooperativa. Foi quando levamos a conhecimento de
outros associados e não tivemos dúvidas nem vacilamos e sim, conclamamos o
quadro de associados para uma nova Assembléia Extraordinária no dia 18 de
setembro de 1997, para apresentação de um relatório do Conselho Fiscal.
Apresentado, discutido e aprovado a deliberação foi pela destituição do Conselho
Administrativo e do Conselho Fiscal, elegendo-se no mesmo momento um
Conselho Provisório para 30 dias com 13 associados indicados pela
plenária.

Fiquei mais 30 dias a frente deste conselho provisório e na sequência
retornei para as minhas atividades, não mais pertencendo ao Conselho
Fiscal da Cooperlucas. Esta foi a minha participação na Cooperlucas que posso
chamar de ” Operação Limpeza”.
Quero ainda informar-lhe Sr Romilsom Dourado que em 22 de
janeiro de 1999, elaboramos uma carta endereçada ao Excelentíssimo
Procurador Geral da República – Dr Pedro Taques e protocolamos na
Procuradoria no dia 26 de janeiro de 1999, onde apresentamos um relatório
sobre os Desvios de produtos agrícolas e outras irregularidades da
Cooperlucas. Este relatório foi assinado por mim e pelos senhores
Presidente e Vice-presidente da época. Para nossa surpresa nunca fomos chamados para falar sobre tais informações. Aliás, Sr. Romilsom, o Sr também nunca quiz
ouvir nossa versão e preferiu por várias vezes dar atenção e fazer notícia
das declarações de estelionatários comprovados e sujeitos sem CPF para
relatar este caso.

Sobre meus problemas com a justiça federal que o Sr.
Romilsom relata sempre com muito gosto quero dizer-lhe que irei repará-los todos,
sempre que a justiça assim julgar e determinar, até porque tenho direito
de demandar judicialmente. Não será o Sr Romilsom Dourado que irá fazer eu
mudar meu comportamento.

Poderia fazer acusações a sua pessoa ou ao veículo de
comunicação que o Sr trabalha, porém não o faço em respeito aos tantos
amigos que tenho também leitores deste jornal. Tenho vários amigos
jornalistas, colunistas, articulistas e editores e sei da responsabilidade
que estas pessoas têm de bem informar. O que me deixa perplexo é que
alguns agem pelo instinto financeiro ou meramente politico-partidário. Por conta
disso alguns jornalistas não têm moral para falar mal de ninguém.

Por fim, amigos mato-grossenses tenhamos cuidado com
oportunistas de plantão. O momento político que passamos é desastroso
assim como foi num passado bem recente no nosso estado onde teve “Secomgate” e
sumisso dos recursos do ” Fethab” entre outros. Porém, existem sim
brasileiros retos, dignos, honestos e com espírito público. Não vamos
perder a esperança e vamos sim nos apresentar para o serviço. Porque a omissão
dos bons dá espaço para o continuismo dos maus.

Helmute Lawisch é suplente de deputado federal