Opinião

Não espere por recompensas

Vemos pelas ruas desta cidade algumas pessoas vivendo as suas dores e as suas histórias pessoais, e ficamos a imaginar quem é esse senhor, por que anda só e sem destino, será porque vive assim?

Será que eu posso ajudá-lo, será que a minha ajuda pode recuperar a sua dignidade ou lhe dar uma nova possibilidade de vida, mas o que pensar deste mundo sem amor, mas, no teatro da vida cada um escolhe a sua representação e alguns até preferem abandonar até a sua origem e a sua própria história e vestir a fantasia do abandono de si próprio.

O interessante é que, por mais que tentamos conhecer ou conviver com os indivíduos que vivem sem rumo por escolha própria, e na ânsia em ajudá-los, mesmo não medindo esforços para tal, mesmo tendo a consciência de que muitos e muitos não irão mudar sua maneira de ser, (simplesmente por ter recebido uma ajuda), pois para essas pessoas que vivem do uso do resumo do seu momento, sempre serão desprezados e abandonados por eles mesmos, porque carregam a revolta como interesses específicos da conquista precária para obter algumas porções da droga química ou social.

Para esses irmãos, tem o seu momento resumido em não morrer de fome, e seguir em sua fuga rotineira, levar uma vida sem passado e sem futuro, e a sua vida em sociedade, ou seja, o convívio e as trocas mútuas, já não lhe importa mais, ou seja, a gratidão, o muito obrigado, a consideração e o respeito não faz jus a ação benéfica recebida, nem tampouco fixa nas lembranças das possibilidades desprovidas de mudanças positivas e que se restringem tão somente em não reconhecer a caridade ou o amor ao próximo, por vezes, faz parte do ciclo da vida, somente neste momento atual, que é transformado em algo que possa receber em forma de uma ajuda provisória.

Está contemporaneidade de desamor, são transformados em revoltas e que pode ser descarregada até naqueles que um dia possa vir a ajudar-lhe, são interesses subjetivos de uma mente doentia que de certa forma, não mais carrega nenhum sentimento bom, ou alguns valores que já não são enfatizados como nos tempos atrás, ou de um minuto que passou e que são alimentados pelo efeito de uma droga moderno e potente, mas o que resta e o que importa, é o “conseguir” mais um ser em forma de anjo que possa diminuir a fome, e partir em frente para poder roubar algum dinheiro para comprar uma nova viagem mental, e dessa maneira achar uma fuga da realidade até que o efeito acabe.

É lastimável conviver neste mundo animal de violência e desamor, por isso, temos que ter o cuidado, porque não temos como corrigir o mundo, mas podemos melhorar aqueles que humildemente nos pedem e sabem entender que a caridade e a ajuda mínima recebida, talvez seja a última possibilidade de transformação e buscar a sua própria cura.

Mas, ao fim de mais um tempo, devemos saber usar da sabedoria para não ser vítima do lado violento do mundo e saber separar os merecedores das nossas ajudas momentâneas, e que pode retornar para nós em forma de crescimento nas escalas sociais e espirituais, pois está difícil até ser bom e misericordioso neste mundo ruim, mas o importante é não esperar por recompensas, pois a gratidão vai embora no minuto após o recebimento da ajuda, pois se tornaram dependente de tudo.
O importante é saber que toda a ajuda que praticamos, é uma via de mão dupla, e tem a consequência imediata nesse pedaço de chão escolheu para evoluir e que vamos levará para a nossa nova morada espiritual.

Wilson Carlos Fuáh – Economista Especialista em Administração Financeira e Relações Políticas e Sociais em Mato Grosso - [email protected]