terça-feira, 5/março/2024
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Meio Ambiente e desperdício 2

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Cientistas e estudiosos dos grandes temas que afetam a humanidade consideram que existem cinco elementos ou aspectos vitais que garantem a vida e a sobrevivência de animais e plantas ao longo de milênios, sem os quais a vida seria impossível. Esses elementos ou aspectos são: água, solo (incluindo sub-solo), ar, alimentos e energia.
Ao longo da história das civilizações, milhões de anos após os vários períodos do surgimento dos sistemas solares e dos planetas, incluindo a terra, a humanidade floresceu `as margens dos rios, lagos e outros locais onde havia abundância de água.

O crescimento populacional, as transformações dos sistemas produtivos, o consumismo e o desperdício têm representado uma pressão enorme sobre tais elementos, colocando em risco não apenas a própria sobrevivência da espécie humana mas também de outras espécies animais e vegetais, ou seja, estamos destruindo os ecossistemas e a biodiversidade do planeta.

Em artigo anterior comentei de forma bem rápida o signiicado do desperdício de alimentos. Está suficientemente comprovado que existe tecnologia disponível para produzir talvez o dobro de alimentos sem destruir o meio ambiente, desde que haja sistemas mais racionais de produção e também consumo responsável, abolindo o desperdício e o consumismo.

O planeta terra possui 1,4 bilhões de km3 de água, entre mares, oceanos, rios, lagos, lagoas, águas subterrâneas (os chamados aquíferos), razão de ser considerado o planeta azul. Todavia, 97,5% desse volume é de água salgada e não se presta para o consumo animal, vegetal e humano, mesmo considerando a tecnologia da dessalinização, cujos custos seriam proibitivos para os consumidores.

Dos 2,5% de água doce (43,6 milhões de km3), dois terços são representados pelas geleiras e calotas polares e apenas um terço (10,5 milhões de km3) estariam disponíveis para consumo, apesar de que 98,7% desse volume serem de águas subterrâneas (aquíferos). Isto significa que apenas 0,9% da água do planeta estão disponíveis para consumo efetivo por parte da sociedade.

Desde que a ONU criou o Dia mundial da água em 1992, diversos estudos e pesquisas vêm sendo realizados em todos os países para avaliar de forma mais profunda este desafio, incluindo projeções quanto ao futuro do suprimento e consumo deste precioso líquido.

Há quem diga que dentro de mais duas ou três décadas ou no máximo por volta do ano 2050, a grande crise mundial não sera em relação ao petróleo, que naquele ano já terá sido quase que totalmente substituído por outra fonte de energia, mas sim a água, que ainda não tem um substituto plausível. Isto vai afetar também diretamente dois outros aspectos vitais: podução de alimentos e energia.

Segundo alguns estudos o consumo médio por pessoa/dia é de 150 a 300 litros, sendo que esses parâmetros variam de acordo com os países, com a composição das classes de renda e a disponibilidade da água. No Brasil a média de consumo por pessoa/dia está entre 150 e 200 litros. Sendo que nas camadas mais abastadas (classes rica e média alta), este consumo/consumismo/desperdício pode ser até tres vezes mais do que a média, enquanto nas regiões do semi-árido nordestino e nas famílias que vivem abaixo da linha de pobreza no resto do país o consumo não chega sequer a um quinto da média nacional.

Recentemente dados divulgados pela ANA – Agência Nacional da Água, informou que as concessionárias perdem em torno de 40% da água antes de a mesma chegar `as torneiras dos consumidores. Esta perda decorre da falta de manutenção das redes, vazamentos, gatos (roubo de água) e problemas na captação e tratamento.
Após a água estar disponível as perdas, o desperdício e o consumismo (consumo irresponsável) podem chegar a mais de 30% do que seria o uso correto. Um exemplo que demonstra bem este desperdídio foi calculado por alguns estudos recentes. Se em média todas as pessoas reduzirem cada banho diário entre 3 a 5 minutos, a "economia" de água seria de 6 litros por pessoa/dia. Considerando a população brasileira de pouco mais de 190 milhões de habitantes, só esta economia seria suficiente para abastecer por um ano uma cidade de 7,6 milhões de habitantes.
Existem várias outros desperdídicios nos diversos setores (e não apenas no uso doméstico) como os setores industrial e agropecuário que na verdade malbaratam este elemento vital para a nossa sobrevivência.

Como estamos em período eleitoral, seria conveniente e recomendável que este e outros temas ambientais estivessem na agenda das discussões de nossos candidatos. Afinal, água e esgoto são temas importantes para a vida dos eleitores e da populaçao em geral.
Voltarei ao tema oportunamente.

Juacy da Silva, professor universitário, mestre em sociologia, colaborador De Sonotícias. www.professorjuacy.zip.net Twiter@profjuacy Email [email protected]

 

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