Opinião

Foro de São Paulo

Com a vitória do kirchnerismo-peronista na Argentina, reacende a discussão sobre o Foro de São Paulo, organização política criada nos anos 90 por governantes e simpatizantes esquerdistas da América Latina.
Para citar apenas alguns, os integrantes dessa organização se estendem desde Cuba, passando por Honduras, El Salvador e Nicarágua, adentrando na América do Sul, via, Venezuela, Equador e Bolívia até chegar no Uruguai e Argentina.
E para os leitores que pensaram que eu havia esquecido. O Brasil também faz parte desse clã, sendo até pouco tempo atrás o reduto de um dos principais idealizadores dessa organização política.

Alguém lembra da Unasul – União das Nações Sulamericanas? Não vou comentar, sugiro que façam uma rápida pesquisa.
Os adeptos do Foro de São Paulo querem a qualquer custo implantar, em parte do continente, o socialismo, e para isso querem vincular, talvez por medo de rejeição popular, a ideologia do bolivarianismo como pano de fundo para atingir o objetivo.

Para estudiosos das duas ideologias, a associação entre bolivarianismo e socialismo é questionável, pois Simón Bolívar não era socialista e pregava a justiça, o esclarecimento popular e a liberdade, substantivos que os “bolivarianos” estão longe de colocarem em prática.

A verdade é uma só no que diz respeito aos movimentos esquerdistas no afã de implantarem sua ideologia, pois é visível que, principalmente, na América do Sul a instabilidade política está de portas abertas.
Para observarmos essa situação basta ler ou ouvir e assistir os telejornais que noticiam protestos no Chile e no Equador, na Colômbia é iminente a retomada dos conflitos armados. No Peru houve a dissolução do congresso nacional, na Bolívia há indícios de fraude nas eleições.

No último domingo, 27, os uruguaios foram as urnas e haverá segundo turno eleitoral marcado para dia 24 de novembro. Lá, após quinze anos no poder, o partido apoiado pelo bolivarianismo venezuelano que levou ao caos a segurança pública no Uruguai, poderá permanecer no poder. Com essa instabilidade política sulamericana estaria agora o Foro de São Paulo sendo fortalecido com a vitória da dupla populista argentina encabeçada por Alberto Fernandez e Cristina Kirchner ?

Os partidos políticos que integram o Foro em sua grande maioria são partidos populistas e por assim serem têm uma influência crescente na vida política e social da população menos abastada, pois são mais facilmente manobradas através de ações assistencialistas.

Embora pouco conhecido e comentado, sabe-se que o Foro de São Paulo foi criado com o objetivo de refletir sobre a crise do socialismo e sobre o bambúrrio do neoliberalismo na América Latina.
Pois bem, respondendo à pergunta. Muito embora seja difícil prever o fortalecimento do Foro, há de se imaginar que as políticas populistas voltarão com força total no país de Evita Perón, ainda mais após os últimos quatro anos de arrocho fiscal e financeiro implementado pelo candidato derrotado nas eleições de 27 de outubro, Mauricio Macri.
A dúvida agora é se com o kirchnerismo ditando as regras na Argentina o bolivarianismo disfarçado voltará a ocupar lugar de destaque na América Latina e quiçá no mundo. Pobre povo argentino !

Povo esse que provavelmente não ficará mais pobre porque diferentemente do Brasil, a nação argentina não possui tantas empresas estatais e nem dinheiro para presentear países de pouco ou nenhuma expressão mundial, como ocorreu em passado próximo aqui em terra tupiniquim.

Ah! Não estou aqui a defender o bolsonarismo.

 

Claiton Cavalcante é contador em Mato Grosso