quarta-feira, 28/fevereiro/2024
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Caciquismo e alianças partidárias

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É comum a gente ouvir tanto nos meios de comunicação quanto de autoridades e também entre o povão de que “cada país tem os governantes que merece”. Esta forma um pouco equivocada de racionalizar sobre o tipo de políticos e governantes que cada país tem  esconde uma grande parte da realidade e da verdade. Da mesma forma que o princípio democrático de que “todo o poder emana do povo” também esconde algumas formas de escamoteação da realidade e acaba culpando a vítima pelo ato as vezes  criminoso  que a atingiu.Isto também é verdadeiro  no cenário politico brasileiroatual.

Antes de haver o voto universal  e secreto, quando as pessoas votavam em cédulas impressas era comum ocorrer diversas formas de burla no processo eleitoral, chegando em alguns casos em substituição de urnas com votos adredemente colocadas, dando sumiço nas urnas onde os eleitores depositavam seus votos. De forma semelhante era comum a manipulação dos famosos mapas eleitorais. Isto era feito na calada da noite. Alguns candidatos dormiam vencedores e, para surpresa geral, acordavam derrotados e quem quisesse deveria demandar na justiça eleitoral, que apesar dos avanços tecnológicos ainda é extremamente  morosa. Se hoje alguns recursos demoram mais do que o período  de um mandato, como  está ocorrendo em MT com ação para apurar o sumiço de uma ata de convenção do PDT das eleições de 2010, imaginam os leitores e eleitores como era a morosidade há  quarenta ou cinquenta  anos.Nas cidades do interior quem mandava eram os famosos coronéis e o povo era apenas uma massa de manobra, como ainda ocorre nos dias atuais em alguns bolsões onde  a miséria, o analfabetismo, a alienação e  a corrupção política imperam.

Mas o que desejo destacar nesta oportunidade é que o eleitor  não tem  tanto poder como a Constituição e os teóricos da democracia imaginam. A vontade popular, o voto secreto só ocorre  e produz  seus efeitos  depois que os caciques e os donos dos partidos fazem  seus  acertos, negociações, negociatas, definem seus esquemas, tudo bem longe do conhecimento real do povo e da transparência que deveria haver em uma democracia de verdade e não de fachada como no caso do Brasil.
No momento atual em todos os Estados estão ocorrendo embates e conflitos entre aliados de hoje e adversários de ontem, para definir as candidaturas a Governadores e seus vices; senadores e seus suplentes, cargos majoritários que são considerados as “joias da coroa” do mundo politico, seja pelo fato do poder executivo disporr da  máquina para ser usada e abusada pelos detentores do poder ou dos senadores, cuja  duração do mandato de oito anos garante não precisarão ser testados nas urnas tão cedo.
Aqui em MT, por exemplo, existe uma grande novela  neste processo de escolha dos candidatos aos cargos majoritários. Apesar de imaginarmos que existem apenas dois  campos, o do governo e de oposição, as articulações, negociacões são demoradas tanto pela indefinição de alguns caciques que fazem jogo de cena  quanto da incoerência e oportunismo de alguns partidos que fazem um verdadeiro leilão de apoio, para ver quem vai dar mais se o  governo ou a oposição.

Do lado do governo o PT, como sempre enfrenta uma luta interna e pode deixar rusgas e cicatrizes profundas como  o que ocorreu há quatro anos. Um pretenso candidato está atropelando a cúpula partidária que já havia feito os acertos com um magistrado que deseja deixar a toga e adentrar o mundo politico.  Depois de muitas conversas o Governador também  resolveu permanecer `a frente do governo em lugar de encarar uma disputa para a única vaga de senador.

Com  certeza pesou em sua decisão muito mais pesquisas que indicavam seu baixo desempenho politico e administrativo do que o altruismo para concluir as obras da copa (me engana que eu gosto).  O fato concreto é que poderia amargar uma derrota como no passado já ocorreu com vários ex-governadores e ex-prefeitos que deixaram suas cadeiras e foram derrotados pelos eleitores.
É menos um concurrente  ao senado, mas deixou o vice-governador em situação comppliada, pois o mesmo estava com enorme vontade e usar a máquina pública para alavancar sua candidaturo, da mesma forma que o atual governador fez há quatro  anos. Isto  vai infernizar a vida dos caciques do PSD, com certeza, pois não contavam com esta decisão do Governador.
Oportunamente, comentarei  um pouco mais sobre os  dramas e as tramas em que os caciques políticos de MT  estão vivendo e a repercussão disso tudo nas eleições de outubro vindouro.

Juacy da Silva, professor universitário,  titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia
[email protected] 
www.professorjuacy.blogspot.com
 

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