segunda-feira, 26/fevereiro/2024
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A vez de Marina

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Costuma-se  dizer que Deus escreve certo por linhas tortas. Longe de mim tentar justificar a morte de qualquer  pessoa muito menos de Eduardo Campos, politico jovem, que aos poucos vinha empolgando boa  parte do  eleitorado brasileiro, com seus princípios fundados na ética, na eficiência, na arte de dialogar e romper barreiras e seu projeto de um Brasil diferente e melhor.

Na verdade Eduardo Campos representava o novo, as possibilidades de um modelo diferente de governar, um  novo projeto para o país, a busca da construção de uma  terceira via entre a experiênia desastrada do governo do PT e seus aliados, onde a corrupção, a mediocridade, o populismo, o autoritarismo, o assistencialismo são suas marcas registraadas e de outro a tentativa do retorno do neo-liberalismo gestado no governo Collor/Itamar e aprofundado na  era FHC, com todas as mazelas que  também o povo brasileiro bem conhece.

Coube ao destino abortar uma carreira brilhante que  certamente, mesmo não vislumbrando de imediato a vitória em 2014, poderia  ser a  base correta para a grande mundança  que viria em 2018. Mas  este mesmo acaso acabou  trazendo para  o centro do cenário politico  e eleitoral brasileiro outra figura sui-generis, uma mulher de origem realmente humilde e simples, trabalhadora nos seringais, analfabeta até os 16anos, sofredora com a impossibilidade de cuidar da própria saúde  pela  ineficiencia do Sistema público de saúde.

No lugar dessas  carências materiais Marina Silva,  surgiu para o mundo da política ancorada em princípios éticos que realmente  acredita e representa a base  de suas atividades na vida pessoal e na ação política. Mulher carismática,  sem grandes vaidades, que não busca os holofotes, a não ser para dizer o que pensa e que país imagina para nossos filhos, netos  e gerações vindouras. desenvolvimento com sustentabilidade, eficiência, ética e justiça social.

Seu projeto de Brasil é de um país justo, com oportunidade reais para todos, principalmente para as classes menos favorecidas, não para usar os pobres como trampolim para oferecer benesses aos grandes interesses políticos e econômicos, como continuam fazendo a maior parte dos nossos governantes, principalmente para os atuais donos do poder.

Além  desta dimensão ética como base da ação política, Marina aos poucos foi construindo ,  com alguns partidos  políticos e, mais importante, com a participação das pessoas que há  quatro anos começaram a se  juntar  nas “casas de Marina”, sem precisar recorrer `as doações financeiras dos grandes grupos ou o uso da máquina pública como atualmente faz a candidata Dilma, com apenas um minuto de TV  no horário eleitoral “gratuito”  conseguiu mais de 20  milhões de votos nas  eleições de 2010, com  certeza fará muito mais agora.

Ao ser  escolhida para  substituir  Eduardo Campos ,  Marina já começou a surpreender e a causar medo nos adversários que até  então  estavam aparentemente tranquilos com a já ultrapassada disputa entre PSDB x PT, que ocorre há mais de duas décadas.

Tanto isto é  verdade que Marina conseguiu motivar os indecisos que até há  um mês representavam 35% do eleitorado, razão pela qual ao ser incluida na última pesquisa do Data Folha, apareceu com 21%, percentual muito superior ao de Eduardo Campos nas  últimas sondagens.

Mais  importante ainda, sua  entrada consolida a certeza de que a eleição para  Presidente da República não será definida no primeiro turmo como imaginavam o PT, PMDB e outros aliados, pois a soma de quem não vota em Dilma no primeiro turno chega a 47% e a da candidata a reeleição não ultrapassa 36%.

Em  caso de  segundo turmo, mesmo sem ter sido confirmada candidata  Marina  com 47%  já demonstrou que supera a Presidente Dilma  que não passou de 44%, indicando que poderá vencer a disputa ,principalmente pelo fato de que pelas suas  caracteristicas e origem poderá conquistar votos da população  mais humilde, principalmente  nas regiões Nordeste, Norte e nas periferias dos grandes centros e  também dos  evangélicos.
A chegada de Marina está  tirando o sono da turma do Palácio do Planalto e também de seu criador da atual presidente que deseja voltar ao poder em 2018, conforme disse em entrevista recente o Presidente do PT, bastando garantir a vitória de Dilma, o que parece a cada  dia fica mais distante.

De  acordo com o influente periódico inglês “The  Financial Times”, do ultimo final de semana, o crescimento das  preferências  dos eleitores, demonstrado na última pesquisa do Data Folha, já garante a certeza do  segundo turno e, neste  caso, também o fato de que Marina está  tecnicamente emprada com Dilma, mas  três pontos  na  frente, poderá facilitar a aglutinação de forças de “todos contra Dilma e o PT”, no segundo turno, podendo significar a vitória de Marina e a derrocada do projeto de poder articulado e nutrido há décadas.
Tudo indica que o PT e em menor grau o PSDB  irão  tentar “desconstruir”  a  imagem de Marina, com uma  série  de inverdades, tentando infundir medo na opinião pública e nos eleitores, para que assim, tenham que decidir entre  dois projetos que já  se esgotaram há anos.

Populismo e neo- liberalismo  são  modelos ultrapassados. Um novo modelo deve  ser buscado, onde novos paradígmas estejam no centro  da nova política,  da nova economia e da nova sociedade de um novo século,em todas as dimensões. Parece que  as apostas agora estão  indo  na direção de Marina,  a presidente que realmente está  vindo de  baixo e da floresta, mas com visão  mais humana da política e do desenvolvimento do Brasil.

Juacy da Silva,  professor  universitário, titular  e  aposentado UFMT, mestre  em sociologia [email protected] 
www.professorjuacy.blogspot.com
 
 

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