quarta-feira, 17/julho/2024
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A festa de Corpus Christi

Padre Roberto Jerônimo Gottardo, SJ - pároco paróquia Santo Antônio - Sinop
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Há 760 anos, a Igreja celebra a solenidade de “Corpus Christi”. Foi instituída pelo Papa Urbano IV (1262-1264), através da bula Transiturus. A expressão latina Corpus Christi significa Corpo de Cristo. Trata-se de uma festa que celebra a presença real de Cristo na Eucaristia. É realizada sempre na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade. 

1. A festa de Corpus Christi é ocasião imperdível para todos os fiéis meditarem sobre o sentido profundo do valor e da importância da Eucaristia na vida pessoal e na vida da Igreja. É bem conhecida a frase: “a Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia”. A Eucaristia é um dos sete Sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: “Este é o meu Corpo… Isto é o meu Sangue… fazei isto em memória de mim” (cf. Mt 26,26). 

Portanto, quem pediu que ao longo dos para perpetuar a memória e a presença salvadora de Jesus na história.  O evangelista João escreveu: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (cf. Jo 6,56). A Eucaristia é a realização da promessa de Jesus que disse: “Eis que estarei convosco até a consumação dos séculos” (cf. Mt 28,20).

Santo Tomás de Aquino, autor do ofício próprio da adoração ao Santíssimo Sacramento, afirmou: “Nenhum outro sacramento é mais salutar do que a eucaristia. Pois, nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais. A Eucaristia é o memorial perene da paixão de Cristo, o cumprimento perfeito das figuras da antiga aliança e o maior de todos os milagres que Cristo realizou”. Nutrir-se de Jesus Eucarístico significa, em última análise, abandonar-nos com confiança a Ele e deixar-nos guiar por Ele.

A celebração de Corpus Christi consta da Missa, da Procissão e da adoração ao Santíssimo Sacramento. É dado um destaque especial à procissão com o Santíssimo nas vias públicas para recordar a caminhada do povo de Deus, como um povo peregrino no deserto deste mundo. No antigo testamento o povo foi alimentado pelo Maná; hoje, é alimentado com o próprio corpo e sangue do filho de Deus.

Jesus, Pão do céu e divino médico, cura, liberta e consola todos aqueles que O buscam de coração sincero. Só ele é capaz de preencher os nossos vazios existenciais e dar sentido e sabor às nossas vidas, muitas vezes, feridas e devastadas por tantas mazelas do corpo e da alma. A vida cristã consiste em viver em Jesus Cristo, com Jesus Cristo e por Jesus Cristo neste mundo, ou seja, fazer da vida uma Eucaristia para os irmãos, como fez o Senhor Jesus. Pe. Marco Pedron é assertivo ao afirmar: “Viver uma vida eucarística não significa ir à igreja todos os dias, mas viver fazendo da própria vida um presente de amor” para os demais.  

2. Com a celebração da festa do Corpo de Deus a Igreja deseja resgatar a sacralidade do corpo e a unidade do ser humano, muitas vezes, fragmentado por conceitos e filosofias dualistas. O cristianismo é a religião do corpo. Deus se entregou a nós através do corpo de Jesus. Deus se entregou a mim através do meu corpo; Deus se entrega a mim através do corpo das pessoas querida e próximas a mim. Deus se fez carne: este é o grande mistério que a Igreja professa. Jesus veio à terra como Corpo de Deus. Para nós, homens/mulheres, não existe espírito sem matéria. 

É importante observar que a proclamação do Credo tem caráter dogmático: “Cremos na ressurreição da carne” e não se fala “da ressurreição da alma”. Para o Evangelho, o ser humano não é passível de reducionismos nem de dilacerações conceituais. Fomos, como todo o universo, redimidos pelo sangue de Cristo derramado na cruz. À luz da fé no Ressuscitado, somos imagem e semelhança de Deus, que não apenas nos visita, mas faz em nós sua morada.

Em Jesus, Deus assume o corpo humano. “O Verbo fez-se carne“, proclama de modo categórico o evangelista João (cf. 1,14). Frei Betto observa que toda a prática ministerial de Jesus “se caracterizou pela redenção do corpo: se doente, é curado; se oprimido, libertado; se condenado, perdoado; se excluído, acolhido. E sempre amado”. 

Jesus deixou que tocassem seu corpo, a ponto de uma prostituta lavar-lhe os pés e enxugá-los com os cabelos, beijá-los e ungi-los com perfume (cf. Lc 7,36-50). E fez de dois recursos indispensáveis à sobrevivência do corpo – a comida e a bebida, pão e vinho – sacramento de salvação, no qual o seu corpo eucarístico nos é dado como alimento para a vida eterna. Por isso, participar da celebração da Eucaristia implica em aprender com Jesus a amar e a testemunhar que a vida é terna e eterna.

Portanto, celebrar a festa de Corpus Christi não se reduz a uma prática religiosa piedosa e devocional, mas se trata de um profundo apelo à conversão evangélica. Isto supõe abertura da mente e do coração aos corpos machucados pela maldade humana (violência, guerras, ódio e indiferença, etc.) e também a capacidade de contemplar a criação como expressão do corpo de Deus. Betto enfatiza que “o universo é o ventre divino no qual estamos sendo gerados para a vida” cujo horizonte é animador porque toda dor será erradicada” pelo triunfo do Espírito que faz novas todas as coisas (cf. Ap 21,1-5).

Como arremate desta modesta reflexão faço memória do fragmento de uma belíssima homilia proferida pelo Papa Francisco (2021): “A Eucaristia tem o poder de curar porque nos une a Jesus: nos faz assimilar seu modo de viver, sua capacidade de partilhar e de doar-se as irmãos e irmãs, de responder ao mal com o bem”. Por isso, “a Eucaristia não é um prêmio para os bons, mas remédio para os fracos”. Que o Senhor Jesus, visibilizado pelo dom celestial da Eucaristia, abençoe as nossas famílias, a nossa Paróquia, Santo Antônio de Sinop (MT), e a nossa Igreja! 

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