quinta-feira, 29/fevereiro/2024
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A conquista do futuro

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Dentre as tradições que caracterizam a política americana cabe um destaque especial o pronunciamento que o Presidente faz perante o Congresso todos os anos intitulado “State of the Union” (O Estado da União). Com toda a pompa e circunstância cabe ao mais alto mandatário dos Estados Unidos não apenas prestar contas de suas realizações, mas também apresentar propostas, novas alternativas, enfim, indicar os rumos que pretende seguir nos próximos anos.
No seu terceiro pronunciamento como Presidente,  Barack Obama parece que conseguiu dar a volta por cima e iniciar a reconquista de sua popularidade abalada tanto pela persistência da crise econômica e financeira que assolou o país durante seus primeiros dois anos de mandato, causando, inclusive, a derrota política nas eleições de novembro do ano passado. Em decorrência dessa derrota o Partido Democrata perdeu a maioria na Câmara dos Deputados e tambem vários assentos no Senado. Caberia, desta forma, a Obama tentar recuperar não apenas seu prestígio e a possibilidade de concorrer à reeleição com êxito, mas também resgatar a auto-estima do povo americano, o que fez de forma magistral pelo conteúdo de seu discurso.

Ao fugir das críticas pontuais que lhes são feitas pela oposição republicana, Obama indicou os rumos da política americana não apenas para os dois últimos anos de seu mandato, mas também estimulou os sonhos de milhões de americanos quanto ao futuro do país. A ênfase do pronunciamento foi à capacidade de superação que o povo americano tem demonstrado em todos os momentos difíceis de sua história. Em seu primeiro pronunciamento ao Congresso em fevereiro de 2009 Obama dizia “apesar da crise nós vamos recuperar, vamos vencer este desafio. O peso e o tamanho desta crise não irão determinar o destino desta grande nação”. No pronunciamento deste ano, além de demonstrar que o país está saindo da crise mais forte do que antes voltou a enfatizar sua visão de estadista quando afirmou “ o futuro não é um presente mas algo a ser conquistado com os nossos esforços, capacidade de criar e encontrar novas alternativas que continuem fazendo desta nação o melhor lugar para viver”.

A ênfase para conseguir vencer os desafios foi colocada na inovação, na educação, no desenvolvimento científico e tecnológico os quais irão aumentar a capacidade empreendedora, a criatividade e a competição com outros países, gerando empregos e condições  Esses serão os passaportes para o futuro!
Destacou tanto os investimentos que serão realizados para melhorar o padrão de ensino de matemática, de ciência e ao mesmo tempo como isto irá estimular o desenvolvimento de novas tecnologias relacionadas às fontes alternativas de energia limpa, principalmente a solar e eólica e em todas as demais áreas do conhecimento.
Em termos de crise econômica comprometeu-se a dobrar as exportações dos EUA até 2014 e que dentro de poucos anos o país terá a maior frota de carros elétricos e outras metas como ampliar o comércio com a Europa e América Latina, que deverá ser visitada neste ano.

Em educação apontou o que chamou de corrida ao topo, ou seja, estimular as escolas em todos os Estados a competirem por padrões de excelência de ensino. Neste sentido afirmou que as pessoas devem ter melhores oportunidades e que os mais capazes, independente de condição de nascimento, de cor, raça, credo ou outras características devem ser incentivadas. Apesar de sua origem afro-americana em seu pensamento não existe a idéia de quota ou qualquer outra forma paternalista para conquistar o futuro.

Para finalizar afirmou com toda a ênfase, e nisto foi muito aplaudido, que “nosso futuro é fruto de nossa escolha e nossa determinação. E nesta noite, mais do que dois séculos antes, isto é verdade porque o nosso futuro depende única e exclusivamente de nosso povo. Apesar dos desafios e obstáculos a nossa esperança e a nossa jornada continuam. O Estado da União é e continuará forte”, numa alusão de que o poderio americano permanece tanto internamente quanto ao redor do mundo.
Obama tem pouco mais de um ano e meio para conquistar mentes e corações do povo americano e tentar a permanência do comando da única super-potencia deste início de século.
 
Juacy da Silva, professor universitário, mestre em sociologia.

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