Opinião

300 picaretas ?

Há cerca de cinco anos o Presidente Lula teria declarado, em entrevista, que no Congresso nacional havia cerca de trezentos picaretas.
Picaretas, segundo os dicionários, pode significar indivíduos furões, insinuantes ou ainda, popularmente, intermediadores de negócios com imóveis ou veículos, não habilitados regularmente. Nas duas definições podemos enquadrar, perfeitamente, certos congressistas: insinuantes, furões e, sobretudo ‘negociadores’, ‘compradores’e ‘vendedores’ de votos’, sem a devida habilitação para o exercício de atividades regulamentadas.

As denuncias contra o Deputado Roberto Jefferson dando conta que os seus indicados para diretorias e estatais deveriam arrecadar uma ‘mesada’ para o seu partido e as dele sobre o ‘mensalão’, nos levam a alguns questionamentos:
O que é a democracia? Não é um regime de governo do povo e para o povo? Como deve governar o Presidente da República, Governadores e Prefeitos? Não é de acordo com os interesses do Povo? E Deputados, Senadores e Vereadores? Não são representantes, verdadeiros procuradores dos eleitores, para defenderem os seus interesses?

Essas indagações levam a outras: Por que se diz que é preciso de uma base de sustentação, de uma bancada de vote de acordo com os interesses do governo? Quais são os interesses do governo? Não são os interesses do povo? Por que deputados senadores e vereadores votariam contra matérias de interesse do povo, se não fossem considerados da base e agraciados com benesses? Senadores, deputados e vereadores já não são devidamente remunerados para desempenharem o trabalho de representantes dos eleitores?

Na mesma linha.Teria o Presidente mudado de opinião em relação ao congresso atual? Existiriam hoje trezentos picaretas? Ou mais? Quantos e quais seriam os verdadeiros representantes dos interesses do povo? Precisamos de tantos representantes?

O momento é propício para pressão da sociedade por uma reforma política que possa mudar as práticas sujas, e aqui nos atrevemos a apresentar algumas sugestões:

Poderíamos discutir a redução, em cinqüenta por cento, do número de vagas para deputados, senadores e vereadores, e certamente teríamos uma diminuição da corrupção, e mais facilidade de controle. A redução drástica do número de cargos comissionados, de confiança, livre nomeação sem concurso, ou qualquer que seja o nome que se dê aos preenchidos por indicação de políticos. Concurso público, com prioridade para aproveitamento de funcionários de carreira, para posições de direção. Punição rigorosa para casos de corrupção de funcionários públicos. Desvio de recursos públicos seria considerado crime hediondo.

Quanto aos cargos eletivos, as campanhas deveriam ser financiadas com recursos públicos, abertamente, pois hoje, com raras exceções, já o são, mas via corrupção e desvios. Seria considerado crime a doação e até o uso de recursos próprios em campanhas eleitorais. Na escolha dos candidatos poderia haver um concurso, entre os filiados, de modo que os mais preparados fossem os escolhidos, sem prejuízo da análise do currículo de cada um, e até a realização de testes psicológicos para se detectar tendências para a mentira, cleptomania e outros desvios de conduta.

Utopia, dirão muitos. Quem apresentaria tais proposições? O povo se quiser tem poder para tal. As liderança religiosas, ongs e clubes de serviços poderiam se unir e elaborar um conjunto de regras, a exemplo da lei que tem cassado muitos políticos por compra de votos. A partir daí uma pressão da imprensa e da opinião pública obrigaria aos não picaretas a liderarem as votações, e à proposição de realização de um plebiscito.

São idéias que podem até ser absurdas, mas que valem como sugestões.Existem muitos homens de bem, capacitados e corajosos para elaborar propostas, talvez mais racionais, que possam acabar de vez com esse estado de coisas que nos têm deixado perplexos. O Presidente Lula poderia passar para história.

Que em futuro próximo, picaretas sejam apenas instrumentos de trabalho para as milhões de vagas que se abrirão quando não tivermos ‘picaretas’ em todos os poderes constituídos e eliminado os corruptos e corruptores.

Valcir José Martins é administrador em Maringá (PR)