No artigo publicado no início deste mês, pesquisadores do Laboratório de Tecnologia e Conforto Ambiental (Lateca) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) demonstraram como sistemas de troca de calor entre o subsolo e o ar podem ser economicamente vantajosos para a climatização de edificações de agroindústrias em diversas regiões do Estado.
A tecnologia não é nova, mas não é disseminada no Brasil. Chamados de bombas geotérmicas, segundo os pesquisadores, esses sistemas bombeiam o ar por um conjunto de dutos enterrados a 3 m de profundidade e liberam esse ar dentro da estrutura, seja uma casa ou uma indústria. Isso é possível porque a temperatura no subsolo tende a se manter constante ao longo do tempo – diferente da superfície que varia ao longo do dia, a cada dia que passa e com cada estação – o ar que sai do sistema está sempre “melhor” do que o que entrou.
“O que significa que essa “melhora” depende das condições do tempo. Em dias muito quentes, quando a temperatura externa está maior que a do solo, o ar se resfria ao passar pelos dutos. Já, em dias mais frios o que acontece é o contrário, o ar aquece ao passar pelos dutos. De qualquer forma, a temperatura no interior das edificações se torna mais estável e agradável ao longo de todo o ano”, explicou a engenheira civil e pesquisadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMT, professora Luciane Cleonice Durante.
No estudo, o uso de bombas geotérmicas foi proposto como uma forma de diminuir os gastos com energia elétrica em agroindústrias. Utilizando um modelo genérico de estrutura – como um galpão – o consumo de energia foi simulado com e sem esse sistema para prever o tempo de retorno sobre o investimento. Dois biomas de Mato Grosso foram considerados, Floresta Amazônica e Cerrado, com seis localizações no total.
“Pensando na Indústria do estado, sabemos que a temperatura interna pode ser um desafio para o armazenamento de sementes – que demanda o controle de condições ideais para que se mantenha a qualidade – para a criação de animais – em que a exposição ao calor severo pode afetar o ganho de peso – e para a realização de atividades laborais, como em escritórios, que devem ter condições de salubridade para os trabalhadores, conforme as normas de saúde e segurança brasileiras”.
Os resultados demonstram que o retorno do investimento nestes sistemas, em condições atuais de clima, seria em média 14,5 anos (13,3 anos na região amazônica e 15,5 anos na região do Cerrado). Contudo, em projeções que consideraram também o aumento da temperatura média da Terra em decorrência da crise climática, o tempo médio de retorno diminuiria para 10,13 anos em 2050 e para 9,86 anos em 2080.
“A maioria das edificações agroindustriais são de grande porte, tornando inviável um sistema de condicionamento térmico padrão, como de ar-condicionado, por causa do alto consumo de energia elétrica. Já as bombas geotérmicas, apesar do custo de implantação, podem compensar esse investimento ao longo do tempo, até por terem uma necessidade de manutenção baixíssima”, conclui a pesquisadora.
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