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Projeto da UFMT prevê áreas experimentais para estudar árvores nativas em Sinop, Lucas e Alta Floresta; R$ 1,97 milhão

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Redação Só Notícias (foto: assessoria/arquivo)

O projeto “Pró-nativas: Vitrines Florestais Amazônicas”, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Campus Sinop, foi aprovado pelo Conselho Gestor do Fundo Desenvolve Floresta, da secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, e terá um investimento de R$ 1,97 milhão. A iniciativa prevê a implantação de áreas experimentais em Sinop, Lucas do Rio Verde e Alta Floresta para estudar o crescimento, a produtividade e o potencial de utilização industrial de espécies florestais nativas da Amazônia.

A proposta será desenvolvida pelo curso de Engenharia Florestal do campus, ao longo de seis anos. A previsão é que as atividades tenham início ainda em dezembro deste ano, dependendo da formalização do instrumento de financiamento e da liberação dos recursos.
As três vitrines florestais ocuparão, ao todo, seis hectares, com dois hectares em cada município. Nesses espaços, serão avaliadas cinco espécies nativas: tachi (Tachigali vulgaris), peroba-mica (Aspidosperma duckei), paricá (Schizolobium amazonicum), marupá (Simarouba amara) e louro-branco (Cordia bicolor).

O desempenho dessas espécies será comparado ao de referências comerciais, como o eucalipto e a teca. Serão analisados aspectos como sobrevivência das plantas, crescimento, produtividade, qualidade do tronco, produção de biomassa e características da madeira. Segundo o professor e coordenador do projeto, Eduardo Schneid, a iniciativa surgiu da necessidade de ampliar as informações sobre o uso econômico de espécies nativas amazônicas. “O projeto busca contribuir para esse desenvolvimento por meio da implantação de três vitrines florestais experimentais, nas quais serão avaliadas espécies nativas em comparação com espécies comerciais de referência, como o eucalipto e a teca”.

Em Sinop, a implantação ocorrerá em área vinculada ao Centro Regional de Pesquisa e Transferência de Tecnologia da Empaer. O tachi será o principal componente produtivo da unidade, associado às demais espécies nativas incluídas na pesquisa.

Em Lucas do Rio Verde, a unidade será implantada em uma área vinculada a uma empresa privada do setor florestal e de biomassa. O espaço reunirá as cinco espécies nativas previstas no projeto e o eucalipto como referência comercial. Em Alta Floresta, a área será disponibilizada por meio de parceria institucional com a Bacaeri Florestal Ltda. A vitrine contará com as espécies nativas e a teca como referência. A escolha do município considera a atuação tradicional da região no setor florestal, especialmente na produção de teca.

A distribuição das vitrines em diferentes municípios permitirá acompanhar o desenvolvimento das árvores em condições regionais distintas. As áreas também funcionarão como espaços demonstrativos para produtores rurais, empresas, técnicos e outros agentes da cadeia florestal. Entre as etapas previstas estão a obtenção de sementes, a produção de mudas, a preparação das áreas, o plantio, a manutenção e o monitoramento das árvores. O projeto também prevê capacitações, dias de campo, seminários, boletins técnicos e artigos científicos. Os dados produzidos poderão orientar decisões sobre o cultivo e o aproveitamento comercial de espécies nativas. A expectativa é contribuir para a diversificação das florestas plantadas em Mato Grosso e ampliar as alternativas de produção de biomassa para geração de energia e de madeira destinada a produtos de maior valor agregado, como a Madeira Lamelada Colada (MLC) e a Madeira Lamelada Colada Cruzada (MLCC). “O financiamento representa uma oportunidade estratégica para fortalecer a pesquisa aplicada e a inovação no setor florestal de Mato Grosso”.

O projeto também prevê a aquisição de equipamentos para inventário florestal e computadores com alta capacidade de processamento. Os recursos deverão ampliar a infraestrutura de pesquisa da UFMT Campus Sinop e apoiar a coleta, o processamento e a análise dos dados obtidos nas áreas experimentais.

A equipe técnica é formada pelos professores Eduardo Schneid, Jair Figueiredo do Carmo, Júlia Graziela da Silveira, Juliano de Paulo dos Santos e Pedro Henrique Oliveira Simões. Estudantes de graduação e pós-graduação poderão participar das atividades como bolsistas ou voluntários, em ações de iniciação científica e pesquisas acadêmicas. A iniciativa também utilizará laboratórios e áreas didático-experimentais vinculados ao curso de Engenharia Florestal.

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