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Policiais acusados de tentativa de homicídio em Sorriso são transferidos para cadeia

O juiz da Segunda Vara Criminal de Sorriso, Anderson Candiotto, determinou a transferência do batalhão de Polícia Militar em Sorriso para a cadeia militar em Santo Antônio do Leverger (36 km de Cuiabá) dos dois policiais militares, Weberth Batista Ribeiro e Ezio Souza Dias, ambos de 30 anos, acusados de tentativa de homicídio.

Na noite do dia 17 de janeiro, os PMs foram flagrados por câmeras de monitoramento de segurança, na avenida Tangará, efetuando disparos de arma de fogo contra uma mulher que estava com o namorado em um ponto de ônibus.

O juiz Valter Fabrício Simioni da Silva acatou o pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e determinou o afastamento dos dois policiais. “Quanto ao perigo de dano, verifico a potencial possibilidade dos réus continuarem a praticar condutas ímprobas e antijurídicas na condição de agentes da Administração Pública, haja vista que Weberth responde pelo crime de extorsão, já determinado naqueles autos o afastamento cautelar do policial militar de suas funções. Já Ezio foi localizado portando arma de fogo, descumprindo ordem a ele anteriormente imposta”, disse o magistrado.

O juiz ainda acrescentou “o fato de os réus serem conhecidos pela fama de pessoas agressivas/truculentas, podendo se utilizar do prestígio e confiança da própria função como policiais militares para garantir qualquer proveito de cunho processual no âmbito desta demanda e/ou de outra na esfera administrativa ou penal. Assim, todas essas circunstâncias demonstram que as situações narradas merecem especial atenção para a apuração escorreita das denúncias e eventual responsabilização dos agentes públicos supostamente envolvidos, notadamente em razão da gravidade dos fatos narrados”.

Consta na denúncia criminal, que na data dos fatos, a Polícia Militar local recebeu diversas ligações anônimas relatando que os denunciados estariam em um estabelecimento comercial agredindo pessoas e efetivando disparos de arma de fogo. De acordo com relatos dos policiais ouvidos durante o inquérito, as denúncias anônimas afirmavam também que os dois haviam atirado contra uma mulher.

“As imagens do circuito interno de segurança obtidas pela Polícia Civil indicam que os increpados se aproximaram das vítimas, que estavam sentadas, bem como encostadas numa parede, literalmente encurraladas, dificultando suas defesas, quando desfecharam o primeiro disparo de arma de fogo em direção a elas, simplesmente por que estavam em seu caminho”, diz um trecho da denúncia do Ministério Público.

Após efetuarem o primeiro disparo, conforme o MPE, os denunciados passaram a agredir fisicamente as vítimas com tapas e socos. Segundos depois, o policial Ezio Souza Dias retorna empunhando a arma de fogo e mirando em direção às vítimas, enquanto o outro dá sequência à sessão de tapas e soco, quando é possível perceber a ocorrência de mais um disparo contra o casal.

“Posteriormente, para concluir o intento homicida, Ezio se aproxima ainda mais das vítimas com o instrumento bélico apontado para elas, visando abatê-las, quando então a vítima suplica, dizendo: ‘Pelo amor de Deus, não dispara’. Contudo, o increpado desfecha mais um tiro na direção de ambos, logrando êxito em atingir o rosto da vítima, que cai ferida ao solo, sangrando muito”, diz a denúncia.

De acordo com os laudos anexados ao processo, o tiro atingiu a face da mulher, causando ferimentos gravíssimos.

Só Notícias/David Murba (colaborou: Lucas Torres, de Sorriso)