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Pesquisadores da UFMT Sinop iniciam estudo sobre efeitos de agrotóxicos na gestação

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Redação Só Notícias (fotos: divulgação)

Pesquisadores do campus de Sinop da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) iniciarão um projeto de pesquisa para investigar os impactos da exposição a agrotóxicos sobre a saúde materno-fetal na Amazônia mato-grossense. Coordenada pelo professor Júlio Cezar de Oliveira, do Instituto de Ciências da Saúde, a iniciativa também prevê a implantação de uma infraestrutura multiusuária de pesquisa em saúde, com equipamentos de alta tecnologia destinados a estudos biológicos e toxicológicos na região.

Intitulado “Infraestrutura Estratégica em Saúde na Amazônia Mato-Grossense: agrotóxicos e risco materno-fetal”, o projeto foi contemplado em edital voltado à expansão da infraestrutura científica na Amazônia Legal. O objetivo é fortalecer a capacidade de pesquisa da UFMT e ampliar a produção de conhecimento sobre os efeitos da exposição a agrotóxicos em populações residentes em áreas de intensa atividade agrícola.

Segundo o coordenador da pesquisa, o estudo pretende qualificar a avaliação de risco toxicológico e ampliar a base científica para subsidiar decisões em saúde pública, especialmente em regiões onde o uso de defensivos agrícolas é mais intenso. Os recursos obtidos serão destinados principalmente à aquisição de equipamentos de alto custo, que permitirão análises farmacocinéticas, morfofisiológicas, toxicológicas, imunológicas, moleculares e celulares. O projeto também prevê bolsas para capacitação e fixação de pesquisadores, além da aquisição de materiais necessários ao desenvolvimento das atividades.

As atividades serão desenvolvidas principalmente nos laboratórios da UFMT em Sinop, com participação de pesquisadores do Campus do Araguaia, em Barra do Garças. A escolha da Amazônia mato-grossense como área de estudo considera tanto o perfil agrícola da região quanto a necessidade de ampliar a infraestrutura científica no interior da Amazônia Legal. A pesquisa investigará a associação entre a exposição a agrotóxicos durante fases críticas do desenvolvimento e o risco de doenças crônicas ao longo da vida. Embora existam poucos dados sobre a contaminação ambiental por esses compostos nos municípios envolvidos, a equipe busca preencher essa lacuna e contribuir para o planejamento de políticas públicas em saúde e produção sustentável.

Entre os principais aspectos analisados estarão as alterações metabólicas decorrentes da exposição a agrotóxicos e a presença de compostos classificados como disruptores endócrinos em tecidos placentários. O objetivo é compreender a relação entre essa exposição e possíveis riscos à saúde do binômio mãe-filho.

O projeto será conduzido em duas frentes. A primeira utilizará modelos experimentais submetidos à exposição a baixas doses de herbicidas, como o glifosato. A segunda envolverá análises de amostras de placenta humana, nas quais serão realizadas avaliações toxicológicas, imunológicas, bioquímicas, morfofisiológicas e moleculares. A expectativa é que os primeiros resultados sejam obtidos em até 36 meses após a liberação dos recursos, período necessário para a implantação e funcionamento completo da infraestrutura laboratorial.

Além da produção científica, o estudo poderá contribuir para futuras avaliações regulatórias sobre o uso de agrotóxicos. Caso sejam identificadas alterações metabólicas decorrentes da exposição a doses atualmente consideradas seguras, ou detectada a presença desses compostos em tecidos placentários, os resultados poderão subsidiar novas análises de risco e aperfeiçoar parâmetros utilizados por órgãos reguladores.

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