
Conforme relatório apresentado na ação, as três nascentes identificadas estão situadas na denominada zona de preservação 006 (ZP-006) e na zona de preservação 002 (ZP-002). Toda imediação está composta por espécies invasoras e capim, apresentando em vários locais princípios erosivos. Há ainda acúmulo e o descarte de lixo nas proximidades das nascentes, lançando efluentes domésticos diretamente no solo. O despejo de dejetos no leito aquífero, prejudica não só a flora e fauna local, mas também todo o abastecimento do lençol freático, o qual dá suporte na irrigação dos rios e córregos durante o período de estiagem.
Nos pedidos, o MP requer que no prazo de 60 dias, o Município apresente o plano de recuperação de área degradada, visando recompor os danos ambientais, sob pena de aplicação de multa diária a ser definida pelo juízo. Para o Ministério Público, o pedido liminar se faz necessário diante da contínua utilização da área ilegalmente que impede a regeneração natural da flora e a demora no procedimento reduz a probabilidade de se recuperar os locais.
O Ministério Público pede ainda que seja providenciado o isolamento da área de preservação permanente, bem como ocorra o levantamento das áreas ocupadas por pessoas, devendo ajuizar as medidas administrativas e judiciais cabíveis a fim de que tais ocupações ilegais cessem na área de preservação permanente da zona de preservação.
No documento, o promotor de Justiça Felipe Augusto Ribeiro de Oliveira contextualiza a criação do município ainda nos anos 80, quando a empresa colonizadora decidiu doar parte de suas propriedades para o poder público. O município cresceu de forma planejada, com setores habitacionais, comerciais, Centro Político Administrativo, industriais e zonas de preservação (comumente chamadas de ZP).
De acordo com a assessoria do MPE, contudo, o projeto originário passou por sucessivas mudanças, pois gestores públicos fomentaram os colonos a ocupar determinadas áreas que, de acordo com o traçado urbano originário, possuíam finalidades de recuperação de áreas degradadas pelo garimpo, além de toda uma proposta de preservação e conservação de áreas verdes.
Visando proteger o cenário aquífero urbano, no segundo semestre do ano passado, a promotoria de Justiça, implantou o projeto “Nascentes de Matupá”, para identificar, monitorar, preservar e recuperar as nascentes urbanas de Matupá, executando, ações conjuntas com profissionais da área ambiental. A ação foi proposta na última quinta-feira.


