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Ministério não envia e Sinop enfrenta falta de vacinas; campanha antirrábica é adiada

Estoques insuficientes para atendimento de demanda, doses em falta e serviços instáveis. Moradores de Sinop que precisam recorrer aos serviços de vacinação, especialmente aquelas que integram o calendário nacional, vêm enfrentando dificuldades. A irregularidade na disponibilidade desses itens, que ocorre desde o último ano, tem se agravado neste 2019.  A secretaria municipal de Saúde confirma o problema e diz que a falta está associada à não regularidade de envio pelo Ministério da Saúde. O problema é o mesmo enfrentado em outros municípios e Estados brasileiros.

As vacinas BCG (Bacilo de Calmette & Guérin), a DTP (Difteria, Tétano, Pertussis (coqueluche), a Pentavalente, a Poliomielite e a Meningo C são as que mais estão em falta. Mesmo quando novas remessas chegam, são insuficientes. Na última semana, por exemplo, um novo carregamento de doses da BCG enviado pelo ministério da Saúde chegou em Sinop. Entretanto, foram, apenas, 8% da meta municipal, ou seja, das 4.600 doses, 360 disponibilizadas e que logo se esgotaram.

“Há, aproximadamente, um ano temos recebido as doses reduzidas, sendo insuficientes para imunizar toda a demanda sinopense. O Ministério da Saúde estipula a porcentagem de vacinas que cada município deve receber de acordo com o número de munícipes, no entanto, o próprio não tem mandado regularmente os imunobiológicos e, quando manda, as quantidades vêm bem abaixo do programado para atender a população”, explica a coordenadora de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde, Sirlei Castilho.

Na mesma linha das vacinas, há, ainda, a falta de antivenenos e antirrábico humano. No caso de ataques por animais peçonhentos, o estoque disponível não é suficiente para atender todos os feridos. “Assim como as vacinas, a queda no abastecimento desses insumos é preocupante. Quando ocorrem acidentes com animais e não temos os soros na cidade, precisamos agir de forma rápida para levar a vítima ou, até mesmo, buscar o neutralizante na cidade mais próxima – que contenha o material – para salvar aquela vida. Da mesma forma, fazem os municípios da região, vindo até Sinop pegar soro, quando temos e eles precisam. Existe uma parceria entre as cidades para que não haja dados maiores”, alerta a coordenadora de Imunização.

A irregularidade no fornecimento de vacinas ao município já provocou reflexos no calendário de ações. Só Notícias apurou que o tradicional dia D de imunização antirrábica em cães e gatos, tradicionalmente realizado no segundo semestre do ano, foi adiado. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) foi notificada pelo Escritório Regional de Saúde de que a campanha deverá ser reprogramada para data posterior ao recebimento, o que está previsto, apenas, para janeiro de 2020.

Segundo o município, o fornecimento dessas doses também é feito pelo governo Federal, que faz o repasse para o Governo do Estado que, por sua vez, redistribui aos municípios. A informação encaminhada a secretaria municipal é que a alteração no cronograma da campanha ocorre devido a imprevistos do laboratório produtor que fornece o imunobiológico ao Ministério da Saúde. Dado a isso, o calendário de vacinação de Mato Grosso terá a campanha dividida em duas etapas.

Neste primeiro, em agosto, o Estado recebeu 350 mil doses de antirrábica animal, sendo elas repassadas de forma priorizada para zonas rurais, aldeias de índios, zonas peri-urbanas e municípios com baixa cobertura vacinal no ano anterior e em locais que com ocorrência de casos de raiva animal. Já em janeiro/2020, serão contempladas as demais localidades, incluindo Sinop.

No início deste ano, o município recebeu sete mil doses e que foram utilizadas na ação perí-urbana, onde foi realizada a busca ativa por animais em residências de 23 comunidades localizadas ao redor do município. Na campanha de 2018, foram vacinados 16.494 cães e 3.274 gatos.

Em nota, o Ministério da Saúde declara que tem feito todos os esforços possíveis para a regulação da distribuição dos imunobiológicos e vem, insistentemente, trabalhando conjuntamente com os laboratórios na discussão dos cronogramas de entrega, com vistas a reduzir possíveis impactos no abastecimento desses insumos ao país. Reforça, ainda, que essas atribulações são devidas as adequações que os laboratórios responsáveis pela fabricação estão passando, para seguir as normativas corretas exigidas pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Só Notícias (foto: reprodução)